O oeste paranaense tem se consolidado como um dos mais fortes redutos de produtores de peixe do País, impulsionado pela mão de obra qualificada dos profissionais desse mercado.

Para termos uma ideia, a região oeste comporta atualmente algo em torno de 1.800 propriedades rurais de forma comercial e produzindo em torno de 85 mil toneladas de peixes, em média, nos últimos anos.

Segundo dados do Instituto Emater (Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural), a produção de peixes cresce em um ritmo acelerado de 15% a 20% ao ano na região. Os modelos de produção empresarial e cooperativa se destacam e ditam novos tempos para essa atividade ainda considerada nova no Brasil. A região tem destaque nacional pela sua produção que representa 73% da produção estadual e em torno de 10% da produção nacional e com destaque para a tilapicultura, relata a Emater.

O engenheiro de Pesca Ricardo Krause observa que, para esses números terem sido alavancados dessa maneira, foi fundamental um processo de melhoria continuada: “O produtor tem se tecnificado e isso melhora a produção. As orientações de um profissional especializado também é um fator determinante, uma vez que há meandros dentro dessa cultura que devem ser respeitados”.

Para Krause, o crescimento se dará pela qualificação dos profissionais envolvidos. “Segundo as previsões da FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] divulgadas em 2018, o Brasil deverá ter um acréscimo de 89% na produção de pescados através da aquicultura até 2030. Desse modo, o profissional Engenheiro de Pesca tem, e ainda terá, papel de destaque nessa história que promete muito mais sucesso”.

A “rainha da água”

É quase que natural para quem mora no interior ter seu peixe de água doce predileto. Na região oeste a “rainha” da preferência do consumidor tem sido a tilápia.

Os números mostram que no Brasil foram produzidas 485,2 mil toneladas de peixes em 2017, segundo dados da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Desse total, a tilápia representou 58% da produção nacional de peixes com 283,3 mil toneladas despescadas.

O Paraná é o estado líder na produção aquícola nacional com 98 mil toneladas produzidas só em 2017, das quais 91,7 mil toneladas foram representadas por tilápias. A região oeste representa a maior parte da produção do Estado, com abate e processamento de cerca de 160 toneladas de tilápia por dia nas 24 indústrias destinadas ao beneficiamento, nas quais o produto final predominante é o filé.

“O tempo de produção dessa espécie leva entre 7 e 10 meses. É uma safra que depende de como o peixe é alocado na água. Se for de 1 grama por exemplo, leva 10 meses. Se for 50 gramas, leva 7 meses”, explica Krause. “A grande questão ainda na produção da piscicultura é a qualidade da água, fator que determinará, no final de todo o processo, a qualidade do produto”, finalizou.