Foz do Iguaçu – O Nepom (Núcleo Especial de Polícia Marítima) de Foz do Iguaçu age diuturnamente em combate ao mercado ilegal que passa na fronteira entre Brasil e Paraguai pelo Rio Paraná e também por meio do Lago de Itaipu. Ao todo, são 1.350 quilômetros da costa do rio vigiados por equipes especializadas, além de outros 170 quilômetros pluviais.

No entanto, todo esse trabalho de combate ao crime organizado precisa de reforços. Isso porque o Nepom trabalha hoje com apenas 20 agentes federais, número que está muito aquém do necessário ante a intensa atuação das quadrilhas de tráfico de armas e drogas e de contrabando de cigarros.

Conforme o agente federal Augusto da Cruz Rodrigues, o efetivo ideal para o Núcleo em Foz seria de 250 policiais.

Ele revela que há uma ação judicial para que as contratações ocorram o quanto antes. Enquanto não se vê solução, pelo menos em curto prazo, o Nepom trabalha somente com 8% do que precisa, resistindo a armamentos e tecnologias cada vez mais avançados que estão nas mãos dos criminosos.

Rodrigues lembra que, embora o déficit no efetivo esteja mais do que comprovado, os agentes federais realizam apreensões importantes na região. Pelo Rio Paraná, próximo à Ponte da Amizade, são apreendidos por ano uma média de 20 mil caixas de cigarro. “Todo esse montante passa por embarcações que atravessam em menos de um minuto de uma margem a outra”, explica. Esse trajeto é feito tão rapidamente por conta da proximidade dos países via marítima, uma distância de apenas 300 metros.

Ali também já foram apreendidas quatro cargas de videogame que representaram mais de US$ 1 milhão cada uma. A quadrilha foi desmantelada e os produtos apreendidos, segundo Rodrigues.

Além disso, anualmente o Nepom consegue pegar cargas de 10 a 15 toneladas de maconha transportadas pelo Rio Paraná e pelo Lago de Itaipu. “Tudo isso feito com apenas 20 policiais”, faz questão de reforçar.

O Núcleo realiza ainda toda a segurança de águas adjacentes ao Rio Paraná e também a proteção da barragem de Itaipu Binacional, com operações marítimas e também terrestres.

O agente federal do Nepom, Augusto da Cruz Rodrigues: “Tudo isso feito com apenas 20 policiais” (foto: Marina Kessler)

 

Tecnologia vira aliada

Com perfil de investigação e combate ao crime organizado, o Nepom em Foz do Iguaçu tem apoio tecnológico fundamental em todo esse processo. Na sede, que fica na barranca do Rio Paraná, um sistema de câmeras de monitoramento acompanha 24 horas qualquer movimentação que ocorra na costa. Com as imagens, é possível identificar se as embarcações que passam por ali são suspeitas ou não. “Os aparelhos possuem visão noturna, o que contribui muito para o sucesso das operações”, comenta Rodrigues.

Quando detectada movimentação fora do comum, as equipes se direcionam até a embarcação e, em muitos casos, conseguem impedir o avanço do mercado ilegal. “Hoje, o contrabando reduziu muito com a nossa presença. Agora, passam em média 5% a 10% do que passava antes”, afirma.

Com essa tecnologia, os policiais monitoram ainda os 20 postos de passagem que ainda existem no local, dez em cada lado da fronteira.

Além do reforço tecnológico, o Nepom possui 34 embarcações, entre elas um blindado, motos aquáticas, fuzis e roupas térmicas para enfrentar operações marítimas em temperaturas em graus negativos.

Chumbo trocado

Rodrigues ressalta, no entanto, que da mesma forma que a polícia brasileira se prepara para enfrentar o contrabando que vem do país vizinho, o lado de lá também está.

Na câmera de monitoramento aparece de longe um “olheiro” paraguaio que fica de plantão, de olho nas atividades do Nepom. O agente federal conta que muitas vezes, quando as equipes se organizam para abordar mercadorias ou embarcações, o olheiro já dá o aviso aos suspeitos.

Quando o aviso chega antes que as forças policiais, as quadrilhas suspendem a ação e tentam de outras formas enviar o contrabando, que nesse caso passa pela rodovia BR-277 e segue para os grandes centros do Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.