Medo: qual o limite entre o normal e a doença?

Opinião de Elaine Ribeiro


O medo é uma emoção que se caracteriza por um intenso sentimento, habitualmente desagradável, provocado pela percepção de um perigo, seja presente ou futuro, real ou suposto. É uma das emoções primárias que resultam da aversão natural à ameaça, presente tanto nos animais como em seres humanos.

Essa herança primitiva protegeu o homem de ameaças como animais, preparando-os para luta ou fuga e nos protege em situações simples, como avaliar o risco ao atravessar uma rua, por exemplo. Porém, esse medo, quando intenso, pode levar-nos a uma avaliação extrema e pouco realista das coisas.

É comum encontrarmos nos pronto-atendimentos de hospitais pessoas com queixas cardiológicas, sintomas como tontura, arritmia, uma sensação de morte, dor no peito, enfim, sintomas, que, quando avaliados, estão relacionados ao medo patológico que se tornou ansiedade. Questionadas, após a crise inicial, essas pessoas relatam esse medo e desconforto extremo, que avaliados, não se baseiam em realidade.

Em alguns casos, a situação extrema de medo pode fazer com que a pessoa não consiga participar de festas, viajar de avião, sair na rua, conviver, trabalhar, estudar. Nesse caso, estamos falando de um medo que virou doença.

Geralmente, as doenças relacionadas ao medo têm caráter emocional, como transtorno do pânico, ansiedade generalizada, transtorno de estresse pós-traumático (que acontece depois de um assalto ou sequestro, por exemplo), ou seja, todos os transtornos de ansiedade têm relação direta com essas situações de medo desproporcional e paralisante.

Uma questão preocupante é que pessoas afetadas pela ansiedade poderão também passar pela depressão, ou seja, sofrer com duas condições que são debilitantes e trazem prejuízos ao percurso normal da vida. Saúde e bem-estar efetivo são diretamente prejudicados naqueles que passam pelos transtornos ansiosos.

Quanto mais negamos e evitamos as situações de medo, mais ansiosos ficamos, ou seja, apenas vamos superar se lidarmos com isto, ou seja, se ao invés de nossa inimiga ela passe a ser amiga e nossos sentimentos de angústia sejam minimizados. Emoções não são inimigas, mas são guias, sinalizam que algo vai bem ou não vai bem. Não tenha raiva delas, mas as compreenda para discernir aquilo que pode ser melhorado em sua vida.

A virada se dará quando não mais dominado pelo medo, você consiga fazer uma avaliação mais realista e com menor sofrimento das situações, trazendo mais racionalidade e, com isso, maior controle sobre aquilo que sente. Será importante incluir doses de realismo, mas sem o negativismo que geralmente é uma lente bastante usada pelas pessoas ansiosas.

Não temos o controle de tudo e nem tudo sairá de forma perfeita. É esta necessidade que vamos criando, que acaba por ser uma das causadoras da tal ansiedade. Permita-se ver as situações de uma forma diferente, e, acima de tudo, aceite a orientação médica e psicoterapêutica quando as situações de ansiedade se tornarem prejudiciais à sua saúde e ao andamento de sua rotina diária.

 

Elaine Ribeiro é psicóloga clínica e organizacional da Fundação João Paulo II / Canção Nova – Twitter: @elaineribeirosp

Uma questão preocupante é que pessoas afetadas pela ansiedade poderão também passar pela depressão, ou seja, sofrer com duas condições que são debilitantes



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