A “novela” da retenção de macas do Siate nas unidades de pronto-atendimento em Cascavel se repetiu nesse fim de semana. Na madrugada de domingo, duas ambulâncias do Corpo de Bombeiros ficaram paradas: uma na UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) Brasília e outra na UPA Veneza. Ontem, uma ambulância ficou retida por mais de uma hora, por falta de macas nas unidades hospitalares.

O paciente só dá entrada na unidade quando uma maca é liberada. Enquanto isso, precisa permanecer no equipamento do Siate e, se a maca fica retida, a ambulância não pode sair do local para atender outras ocorrências.

Neste fim de semana, vários acidentes graves foram registrados. Somando sábado e domingo, o Siate atendeu a 39 ocorrências, 16 eram acidentes de trânsito. De sábado até ontem, por volta das 15h, segundo relatório online do Corpo de Bombeiros, foram 46 ocorrências, destas 22 acidentes de trânsito, tipo de atendimento considerado o que mais sobrecarrega o sistema de saúde.

Na manhã de ontem, o Consamu encaminhou um alerta dizendo que os graves e frequentes acidentes de trânsito deixaram Samu, Siate, UPAs e HU superlotados e, no caso do HU, alta taxa de ocupação de leitos, inclusive nas UTIs.

Escondidas?

Na semana passada, a 10ª Regional de Saúde acusou de que há possibilidade de macas escondidas nas unidades, em reportagem veiculada na edição de sexta-feira. Em resposta, o HU disse que enfrentava superlotação no Pronto-Socorro e no Centro Obstétrico, e que emprestou macas do Samu para que as ambulâncias do Siate não ficassem retidas. A Secretaria de Saúde de Cascavel também se manifestou com relação ao acúmulo de pacientes. “As UPAs são unidades de atendimento de Urgências e Emergências e estabilização de pacientes, ou seja, apoio pré-hospitalar para as unidades de atendimento de rua, como Siate, Samu e Rodovias. Temos pacientes de atendimento direto, consultórios e de referência, que são trazidos pelas unidades pré-hospitalares. Segundo as portarias do Ministério da Saúde, Cascavel deveria ter 3 UPAS com 11 leitos de observação cada, entretanto temos hoje 21 leitos na UPA Brasília, 23 leitos na UPA Veneza e 18 leitos na UPA Tancredo Neves, ou seja, número bem acima do preconizado pelo próprio MS”.

Espera

Apesar de as portarias ministeriais deixarem claro que pacientes que necessitam de internamento hospitalar não podem passar mais de 24h aguardando a remoção para unidade hospitalar, a média de espera nas UPAs de Cascavel é bem diferente, de 3 a 5 dias. “Isso provoca o acúmulo de pacientes dentro das unidades e, consequentemente, a retenção de macas das unidades pré-hospitalares. Tentamos liberar as macas das unidades o mais rápido possível, porém, o atendimento ao paciente é prioridade e este só poderá ser retirado da maca na qual se encontrar quando houver outra maca/cama para que o mesmo seja devidamente acomodado. O Município de Cascavel está tentando resolver estes episódios de retenção de macas, porém, são soluções que perpassam a governabilidade apenas do Município”, ressalta a Secretaria, em nota.