Mais uma iniciativa do Sistema Fiep com foco no desenvolvimento das indústrias do Paraná já está disponível. É a 5ª edição da Bússola da Inovação, ferramenta online gratuita desenvolvida pelo Observatório Sistema Fiep para medir o grau de inovação das empresas e incentivá-las a adotar práticas alinhadas às necessidades do mercado. O objetivo é que as empresas possam, a partir do diagnóstico detalhado oferecido gratuitamente pela Bússola, transformar processos, ganhar eficiência e aumentar sua competitividade no curto prazo. Indústrias de todos os portes e regiões do Estado podem participar. Basta acessar a plataforma neste link e responder à pesquisa que estará disponível até 30 de setembro.

O projeto é atualizado a cada dois anos e desde 2012, quando foi lançado, já beneficiou três mil empresas do Paraná. Mais de 20 mil participaram do estudo e 30 mil pessoas estiveram envolvidas nos processos de avaliação. A Bússola da Inovação visa efetivamente fortalecer o ambiente de negócios por meio da disseminação de práticas inovadoras. Para isso, gestores respondem a um questionário que define o perfil inovador da organização. Com este raio x em mãos, a equipe do Observatório avalia o nível de esforços investidos pela empresa e orienta como alcançar melhores resultados.

“As empresas têm acesso gratuito a informações sobre tecnologia, investimentos, equipamentos e métodos ágeis. Mas o diferencial é o compromisso de cada gestor em atuar como agente de transformação nesse processo dentro das organizações”, destaca Augusto Machado, pesquisador do Observatório Sistema Fiep. Outro ponto importante é não só receber o diagnóstico, mas sair da zona de conforto e fazer uma autoavaliação”, reforça.

Vantagem

Pelo questionário os gestores sabem como está o nível de esforços, de gestão e os resultados obtidos em seus projetos. Também podem reavaliar seu planejamento estratégico para terem mais segurança na tomada de decisões. “Com os dados em mãos, é possível recorrer a fontes adequadas de crédito, saber em quais tecnologias investir, criar novos produtos, adequar processos para melhorar a gestão. Tudo isso vai gerar um ganho significativo de competitividade”, garante.

Outro benefício da Bússola é que o resultado da pesquisa fica salvo numa plataforma segura e a cada edição é possível comparar o grau de evolução. De quebra, os participantes também recebem sugestões de medidas a serem implementadas para melhorar a performance.

Para quem participa da pesquisa, respondendo o questionário, ficam acessíveis informações estratégicas sobre o negócio baseadas nas questões avaliadas. Entre elas, como reduzir custos sem prejudicar a qualidade dos produtos, como utilizar a inovação para fidelizar e prospectar novos clientes, como agregar valor ao produto por meio de parcerias e negociações, entre outros ganhos.

As indústrias participantes também recebem auxílio de um especialista para esclarecer dúvidas, têm acesso a parcerias com o ecossistema de inovação do Paraná e podem receber dados do perfil de inovação industrial paranaense. Os participantes recebem ainda convites para eventos e capacitações com especialistas em inovação industrial e têm acesso a parcerias e descontos para participação em eventos sobre o tema. Nas últimas edições as empresas conheceram cases de sucesso na indústria e estudos com a comparação do uso da inovação por setor, porte e região do Paraná.

Por que inovar é importante?

O acesso à inovação é democrático, não se restringe a grandes empresas e nem a um determinado segmento. Todos podem e devem inovar, segundo Augusto Machado. ”A inovação se torna essencial na medida em que traz bons resultados. Não necessariamente é preciso ter muito dinheiro para começar um processo de inovação. Temos casos concretos de que otimiza recursos, reduz custos e gera aumento de receita”, afirma.

Ele acrescenta que a inovação auxilia no desenvolvimento de produtos de alto valor agregado, contribui para a atualização do uso de tecnologias, capacita pessoas e promove avanços em pesquisas”, destaca. “A Bússola aponta ainda que melhora a produtividade, permite que a empresa possa atender com mais eficiência às expectativas dos clientes e até ampliar a carteira e, num mundo cada vez mais globalizado e competitivo, isso faz toda a diferença”, diz.

Cinco passos para a inovação

Os caminhos para quem quer começar agora passam pela capacitação de pessoas. Tudo para que sejam agentes transformadores dentro da organização e façam a conexão entre a inovação internamente e fora da empresa. O segundo passo é avaliar processos e otimizá-los a fim de reduzir custos.

Depois vem a busca e o uso de tecnologia aplicada ao negócio. Como aproveitar melhor as já existentes ou investir em novos que tragam retorno no curto prazo. “Os recursos financeiros também são importantes, mas não é o ponto principal do processo de inovação. É possível fazer mais com menos”, garante Machado. Planejar, organizar o caixa e conhecer as opções mais vantajosas disponíveis no mercado podem ser um bom começo.

Por fim vem a cultura inovadora. Este conceito traduz a vontade, as atitudes, a disposição e o foco da equipe que vai colocar um projeto de inovação em prática e sua multiplicação entre os diversos atores envolvidos no processo. “É por aqui que costumo afirmar que uma empresa pode inovar mesmo sem buscar recursos financeiros. A parte mais sensível para tudo acontecer é o engajamento entre as equipes e os colaboradores, o gerenciamento de ideias e a transformação delas em práticas inovadoras”, acrescenta o pesquisador.

E qual o melhor momento para começar? Segundo ele é agora, o presente. Geralmente quando as dificuldades e desafios apontam é que as oportunidades aparecem. “A pandemia trouxe muitos ensinamentos e é no presente que as empresas precisam buscar soluções criativas para se diferenciar no mercado. A partir do que se faz hoje já se pode colher os frutos no amanhã e alcançar os melhores resultados”, recomenda.

A experiência de nove anos de trabalho mostra que é pela transformação do ambiente de negócios, por meio da inovação, que as empresas alcançam melhorias. Daí a importância da participação massiva das indústrias nessa fase de pesquisa. “Só diante de um resultado expressivo de respostas teremos um retrato fiel das necessidades e pretensões das empresas para atingirem seus objetivos”, completa o pesquisador.

O gestor da empresa pode responder o questionário de inovação do Observatório até 30 de setembro. “Mas, quanto antes finalizar a pesquisa, mais cedo poderá usufruir dos benefícios da sua participação, que é gratuita, rápida e respeita todas as diretrizes impostas pela Lei Geral de Proteção de Dados”, conclui Augusto Machado.

Modelo bem-sucedido

Quem investiu confirma os bons resultados. O gerente de Inovação e Melhoria Contínua da metalúrgica Schwarz, na região de Curitiba, Rafael Bispo Rodrigues, conta que a bússola ajudou muito a empresa a direcionar os esforços em tempos de recursos escassos. “A bússola traz esse olhar mais seletivo para a alta gestão ter foco nos projetos. O diagnóstico apontou quais as iniciativas eram mais transformadoras e que já estavam bem encaminhadas e quais áreas poderíamos otimizar para melhorar os resultados”, destaca.

Na prática, ele conta sobre os ganhos financeiros e de cultura dentro da empresa. Entre eles, um programa interno de ideias. “Em dois anos de implantação conseguimos aproveitar de seis a 10 ideias a cada mês. Os profissionais da empresa apresentam a sugestão, avaliamos os ganhos e elas são imediatamente colocadas em prática. No último ano essa iniciativa gerou mais de R$ 1 milhão em recursos para empresa”, comemora.

Quando a solução para uma questão não sai de dentro da empresa, a alternativa é recorrer à ajuda externa. O processo de inovação levou à maior conexão com startups. Elas auxiliam a indústria em diversas frentes. “Uma delas, aqui mesmo da região, tem sido fundamental na prospecção de novos clientes de forma mais inteligente e automatizada. Outra parceira tem nos auxiliado na sensorização”, exemplifica.

O incentivo à capacitação de colaboradores, apontado no diagnóstico, tem sido fundamental. Além de divulgar cursos internamente, a empresa atua em mentorias para cursos oferecidos em universidades. “Sabemos que é um passo importante para fomentar a inovação aqui. Tanto que um de nossos profissionais, aluno de Mestrado em Indústria 4.0, da Universidade Federal do Paraná, está sendo fundamental na implantação da manufatura aditiva e a impressora 3D na empresa. Isso nos gerou ganhos expressivos em prototipagem e substituição de itens que a impressora produz”, conta. “Agora estamos investindo em treinamentos online para os colaboradores, pelo conceito de microlearning – com dicas curtas e regulares enviadas por whatsapp – para disseminar a cultura da inovação internamente e engajar as equipes”, completa.