Histórias de drama e solidariedade se multiplicam após terremoto na Itália

201608251336401567_AP.jpg ROMA ? Enquanto a Itália vive o luto pelas vítimas do terremoto que devastou a região central do país, se multiplicam as histórias de drama, horror e solidariedade de quem viu de perto esta tragédia. Autoridades já confirmaram a morte de pelo menos 250 pessoas, enquanto muitas outras ficaram feridas. Equipes de resgate e voluntários lutam, apesar das dificuldades, para salvar o máximo de vidas. Veja algumas das histórias que marcam o drama italiano.

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Anjo da guarda

De batina suja ensanguentada e olhando o celular diante de um cadáver coberto: a freira albanesa Mariana (na foto) teve sua imagem rodando o mundo nos últimos dois dias. A irmã, que vive num convento em Amatrice, contou ontem ao ?La Repubblica? que foi salva por um menino que ajudou a retirar as pessoas do local. ?Ele foi heroico, e o Senhor o recompensará?, ela disse. Algumas de suas colegas continuam desaparecidas.

Ajudando quem os acolheu

Em Arquata del Tronto, mais de 15 imigrantes africanos têm feito um mutirão voluntário de limpeza nas áreas destruídas. Um deles é Abdullai, que veio do Benin há um ano. ?Entendi que as pessoas precisavam de toda a ajuda possível. Estou cansado, mas poder ajudar me faz sentir forte. É muito melhor do que ser pago para trabalhar?, contou ele à Reuters.

Lealdade canina

Ele ficou ferido quando o terremoto arrasou Amatrice, mas se recusou a abandonar sua casa. O cão Bravo escapou após ser atingido por escombros da casa onde vive. Mesmo assustado, tentou proteger os donos soterrados, rosnando para socorristas que tentavam entrar. Eles foram retirados e continuam internados, mas Bravo ficou lá, guardando o local.

Sobrevivente de dois sismos

A romena Violeta Bratu sobreviveu ao violento terremoto de 1977 em seu país, que deixou 1.500 mortos. Ela tinha apenas 8 anos. Ontem, a moradora de Amatrice, que é cuidadora de idosos, retirou às pressas o ancião de 97 anos de quem cuida. O filho dele os levou para um abrigo num ginásio. ?Eu disse a ele: ?Sem o senhor, não vou a parte alguma??, contou.

Três amigos mortos juntos

Francesco Morelli, 17 anos, estuda em Roma, mas estava na sua cidade natal, Pescara del Tronto. Caminhava com três amigos quando o terremoto começou. Disse que ouviu um estouro antes de uma coluna de fumaça e poeira subir, acompanhada por gritos. ?Quando o pó baixou, vi as pessoas correndo e meus três amigos, mortos?, disse ele à EFE.

Solidários no campo e na cozinha

A solidariedade surge em outras partes. No campeonato italiano, rendas das próximas partidas serão doadas às cidades afetadas. Já o chef britânico Jamie Oliver decidiu fazer arrecadação com massas ao molho à matriciana, especialidade de Amatrice. O Consórcio do Parmigiano Reggiano dará ? 1 a cada queijo vendido até o fim do ano por seus produtores.

Até que a morte os separasse

Os jovens noivos Anna Grossi e Claudio Leonetti, ambos com 21 anos, nunca poderão se casar. Unidos pela paixão à música, eles se conheceram em Áquila, terra do tremor de 2009, onde ambos estudaram em conservatórios. Aproveitando as férias de verão, estavam na casa dela. Quando a construção desabou, ela morreu. Ele foi resgatado gravemente ferido.

Salvamentos milagrosos

Como em outros terremotos que chamaram a atenção do mundo, diversos resgates de pessoas vivas muitas horas após o tremor foram registrados pelas câmeras: Giulia, de 10 anos, foi resgatada de casa em Pescara del Tronto após socorristas encontrarem suas pernas em meio aos destroços. Aos 4 anos, Giorgia foi tirada dos escombros 16 horas depois do sismo. Sobreviveu, assim como o pai e a mãe. Quem não escapou foi sua irmã, de 8 anos, que morreu tentando protegê-la.


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