Feminicídio abre mapa da violência de 2019

Já está preso à disposição da Justiça, Israel da Silva Rodrigues Barbosa, de 24 anos. Ele é acusado de ter matado a própria companheira, Solange Fátima de Andrade, de 29 anos. O caso é o primeiro crime contra a vida em Cascavel registrado em 2019.

JK

Israel foi preso em flagrante na tarde de segunda-feira (14), quando ele foi até o IML (Instituto Médico Legal) para fazer a liberação do corpo da mulher.

Na manhã de segunda-feira, Israel chamou o Samu para socorrer a mulher, que teria ingerido uma grande quantidade de medicamentos para tirar a própria vida. Quando os socorristas chegaram, ela já estava sem vida. Contudo, eles desconfiaram da história contada pelo homem, especialmente após verem marcas de agressão pelo corpo da vítima. Por isso, levaram o corpo para que o IML fizesse a necropsia.

Segundo a delegacia de Homicídios de Cascavel, Mariana Vieira, o acusado chegou a mostrar os tais medicamentos para os socorristas. Porém, após diligências e coleta de provas, a Polícia Civil constatou que o caso se tratava de homicídio qualificado, nesse caso enquadrado como feminicídio. “Os policiais encontraram testemunhas que presenciaram a discussão do casal e a agressão física no dia anterior à morte [domingo]. Depois de tê-la agredido, ele passou a noite toda com a vítima ferida, não acionou o socorro durante toda a noite e só acionou em um momento em que nada poderia ser feito para salvá-la”, relata a delegada Mariana Vieira.

De acordo com a Polícia Civil, já no exame preliminar de necropsia foi constatado que a mulher não havia ingerido as substâncias citadas pelo companheiro e que a causa da morte foi uma hemorragia interna, provocada pelo que a polícia classificou de “ação de instrumento contundente”, que seriam pancadas e pauladas, por exemplo. Ou seja, a mulher morreu de tanto apanhar.

Na residência do casal a polícia apreendeu algumas cartelas de comprimidos, uma gaze com sangue e dois pedaços de cabo de vassoura, devido à suspeita de que teriam sido usados durante a agressão do rapaz.

De acordo com a polícia, ao ser preso, Israel confirmou que os dois tiveram uma discussão, mas negou a agressão e o assassinato, dizendo que os ferimentos teriam sido provocados por uma queda.

Histórico de agressão

Segundo a Polícia Civil, o casal tinha histórico de agressão. As investigações policiais dão conta de que o casal estava junto havia cinco meses, mas as brigas eram frequentes. Nesse tempo, Solange Fátima de Andrade já havia registrado boletim de ocorrência por lesão corporal e chegou a ser acolhida em uma das casas de apoio a vítimas de agressão do Município, mas, segundo apurado pela polícia, os dois reataram o relacionamento.

Se for condenado pelo crime de homicídio qualificado, Israel da Silva Rodrigues Barbosa pode ser sentenciado a 30 anos de reclusão.

Israel foi condenado a 13 anos de prisão em dezembro de 2017 por um homicídio ocorrido em março daquele ano. Ele foi considerado culpado pela morte de um primo. O crime teria acontecido enquanto o rapaz dormia, em uma casa no Jardim Itália. A esse caso Israel respondia em liberdade.

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