As chances de ocorrência de um El Niño para o fim de 2018 e início de 2019 chegam nesta semana a 70%, segundo o Centro de Previsão Climática do NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional), dos Estados Unidos. O fenômeno, ainda que com fraca intensidade, tem potencial de influenciar a distribuição das chuvas em plena safra de verão.

"Estamos em uma neutralidade. Por enquanto, o risco de um El Niño é alto para novembro e dezembro e podemos iniciar o fenômeno com uma cara de Modoki [com efeitos mais brandos] por conta da temperatura da costa do Peru, que deve seguir um pouco mais baixa. Depois, a gente segue para um fenômeno mais clássico", explica Graziella Gonçalves, meteorologista da Climatempo.

O fenômeno, apesar de não ser forte como os últimos registrados, tem potencial de alterar a distribuição das chuvas no País. A condição demanda cautela dos produtores uma vez que os trabalhos de plantio da safra de verão estão liberados desde o dia 10 no Paraná.

"É preciso ter cuidado em plantar logo após o fim do vazio porque a safra vai depender se essa chuva vai conseguir cair com bom volume", destaca a meteorologista.

Gonçalves pondera que os produtores devem estar bastante atentos com a previsão e as condições do solo para o início dos trabalhos da safra de verão. O mapa de disponibilidade de água no solo tem revelado que os volumes são baixos na maior parte do país. "Apesar dos modelos estarem um pouco mais otimistas, pode ser que as chuvas ainda não sejam boas o suficiente para melhorar o solo", afirma a meteorologista da Climatempo.

As previsões mais estendidas mostram a tendência de que o início de outubro deve ser de mais chuvas, mas a irregularidade ainda deve continuar já que as frentes frias nesse período do ano tendem a ficar mais sobre o oceano do que no continente, segundo a especialista. Em novembro, mais precipitações são previstas e a expectativa é mais otimista, mas com volumes abaixo da média.

"A chuva deve terminar um pouco abaixo da média em novembro, lembrando que a média já é alta, mas o mês tende a ser melhor que outubro com a questão da irregularidade", explica. "O mês de dezembro também tende a ser bom de chuvas, mas a irregularidade vai seguir ao longo da primavera", diz Gonçalves após ponderar que o fenômeno El Niño tende a influenciar na condição das chuvas nos próximos meses no País.

O mapa de previsão probabilística do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), divulgado neste mês de setembro, também mostra uma condição de chuvas abaixo do normal a dentro da normalidade para os próximos três meses (outubro, novembro e dezembro), mas esta condição não se aplica ao Sul do Brasil. Nele o destaque vai para áreas de Minas Gerais e Mato Grosso, que tendem a ter níveis muito abaixo do normal.

Foto: 07 plantio soja _as_ (45)

AÍLTON SANTOS

Legenda: Produtores têm aproveitado terra úmida para intensificar o cultivo da soja

O fenômeno

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas da superfície do oceano pacífico e a atmosfera reage. De acordo com informações da agência de notícias Bloomberg, o fenômeno climático costuma causar impactos consideráveis nos mercados financeiros e de commodities.

Em 2015, por exemplo, um grande evento de El Niño prejudicou as produções de cacau, chá e café em toda a Ásia e África, além de favorecer incêndios florestais em Singapura e inaugurou o inverno mais quente já registrado nos Estados Unidos, sufocando a demanda de gás natural no país.

No mês passado, o Centro de Previsão Climática havia estimado as chances de o El Niño se instalar em 65% durante o outono e 70% durante o inverno [no hemisfério Norte], condição esta atual de acompanhamento.