A balança e a venda são um símbolo de poder e força para a Justiça brasileira. O equilíbrio e os olhos vendados representam uma justiça de fato, que, no Brasil, está longe de ser realidade.

O que se tem visto é uma Justiça para cada cor, nome ou bolso. Enquanto milhares se amontoam em cadeiões que parecem pocilgas mesmo sem terem sido condenados, outros tantos condenados vivem livres e soltos à espera que julguem alguns de seus tantos recursos.

Aqueles que por ventura são presos, conseguem escolher suas celas e seus presídios, longe dos presos comuns, inclusive, longe de qualquer outro preso.

Apenas no Paraná temos dois exemplos ilustres. Um, condenado já em segunda instância, ocupa há quase um ano uma sala (não cela!) especial na Superintendência da Polícia Federal, a qual desde que o preso entrou tenta transferi-lo de lá, justamente porque não é presídio. Outro, réu em vários processos, mas ainda não condenado, detido provisoriamente acusado de interferir nas investigações, aguarda numa sala especial (não cela!) no Regimento da Polícia Montada Coronel Dulcídio, em Curitiba.

Isso sem contar aqueles que, sem conseguir a liberdade, transformam os presídios em motéis de luxo e garantem refeições à base de caviar e champanhe.

Não bastassem os luxos conquistados/concedidos por alguns, a Justiça permite retardar até que a morte encerre os processos sem que o culpado seja punido.

Diante desses e de tantos outros casos, em pouco tempo a balança pode começar a ser interpretada como unidade de medida de quem pode mais e as vendas apenas uma forma de tentar esconder a vergonha.