Brasília – A Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal) faz novo alerta ao esvaziamento do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), a principal reserva financeira dos trabalhadores e fonte relevante de investimentos em habitação e outras áreas estratégicas. Só com duas modalidades de saques, autorizadas pelo atual governo, o Fundo perdeu quase R$ 45 bilhões em menos de três anos.

Cálculos feitos pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) a pedido da Fenae mostram que, só com o chamado “Saque Imediato” – autorizado em 2019, no valor médio de R$ 500 por trabalhador – foram retirados R$ 27,9 bilhões do FGTS nos últimos dois anos. Em 2020 e até maio deste ano, outros R$ 16,74 bilhões foram subtraídos do Fundo por meio do “Saque Aniversário” (de R$ 50 até R$ 2,9 mil por trabalhador). Com essas duas modalidades, o volume total de saques chega a R$ R$ 44,64 bilhões.

O levantamento também revela uma arrecadação líquida negativa de R$ 58,3 bilhões de 2017 a 2020: foram depositados R$ 522,7 bilhões e sacados R$ 581 bilhões.

Esta situação é muito preocupante porque, na medida em que o Fundo vai sendo reduzido, em termos absolutos, ele perde a capacidade de financiar grandes projetos habitacionais, que favorecem a geração de empregos e a dinamização da economia”, avalia Clóvis Scherer, economista do Dieese.