O Gaeco (Grupo de Combate ao Crime Organizado) prendeu na noite de ontem um ex-assessor da Câmara de Vereadores de Cascavel.  O homem é acusado de cobrar R$ 2 mil de uma paciente para “pagar anestesia” de um procedimento custeado pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

A prisão aconteceu no momento em que ele buscava o dinheiro na casa da vítima. Ele foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil, foi ouvido e segue preso na carceragem da Cadeia Pública da cidade.

Na manhã desta terça-feira (18), o delegado Rogerson Salgado concedeu entrevista sobre o caso na sede  da Divisão Estadual de Combate à Corrupção, em Cascavel.

“Filmamos as notas de dinheiro, aguardamos a realização da cirurgia e o pagamento. Abordamos na saída do suspeito e efetuamos a prisão em flagrante. Não podemos ainda citar nomes de outros possíveis  envolvidos, mas, durante o depoimento, o homem falou de outro assessor que atua na Câmara de Vereadores. Vamos apurar daqui para frente ”, comentou.

“Pode estar havendo corrupção, pessoas que estão usando de artifícios para se beneficiar das necessidades de pacientes, para furar a fila no atendimento do Sistema Único de Saúde”, explicou.

Ele alerta sobre a importância das denúncias: “As pessoas precisam procurar o Núcleo de Combate à Corrupção ou o Gaeco para evitar outras situações como essa”, orienta.

O delegado ainda esclareceu que a paciente não será investigada nem indiciada pela polícia por ter contribuído com a investigação e, no caso, foi vítima de um crime.

O caso
A paciente esperava por uma cirurgia havia quatro anos e o ex-assessor teria cobrado o valor para adiantar o procedimento. Como a família não tinha todo o dinheiro, negociou com o ex-assessor para pagar R$ 1 mil. O procedimento foi realizado na segunda-feira (17) pelo médico e vereador Jorge Bocasanta em um hospital particular, que atende também pelo SUS (Sistema único de Saúde).

O MP-PR (Ministério Público do Paraná) foi acionado pela família e o Gaeco então  realizou a prisão.

O ex-assessor vai responder pelo crime de concussão e a pena pode chegar a 12 anos de prisão. Os advogados de defesa já entraram com pedido de habeas corpus para que o homem responda em liberdade.

Exonerado
O ex-assessor teve o pedido de exoneração assinado no fim de julho do gabinete do vereador Roberto Parra. Ele se pronunciou, afirmando que a exoneração aconteceu no dia 28 do mês passado, mas que  há mais de 40 dias o então servidor estava afastado do trabalho, alegando problemas de saúde.

O caso segue sendo investigado pelo setor de combate à corrupção da Polícia Civil.

Veja a entrevista completa com o delegado: