Damasceno é investigado por ameaça de morte

Delegado falou ontem em entrevista coletiva sobre inquérito

Dois meses após ter o mandato cassado pela Câmara de Vereadores, Damasceno Júnior esteve ontem na Delegacia de Combate à Corrupção em Cascavel para prestar depoimento. Acusado de peculato e concussão no decorrer do mandato, Damasceno também é investigado por uma ameaça de morte ao assessor Pascoal Gomes dos Santos – uma carta havia sido deixada no portão da casa onde ele mora durante os trabalhos da Comissão de Ética da Câmara. No papel estava escrito: “Pascoal, cuidado o que você irá falar no depoimento ou você pode acordar com a boca cheia de formiga. OK!?”

O inquérito policial apura a parte criminal, a pedido do MP (Ministério Público), que ficou com a questão cível. “Instauramos o inquérito para apurar peculato, corrupção e fatos de ameaça”, resume o delegado Rogerson Luiz Ribas Salgado, que ontem ouviu o ex-vereador.

A Comissão de Ética da Câmara constatou que Damasceno cobrava a devolução de parte dos salários dos assessores. Ednéia dos Santos Silva trouxe o caso a público e contou que pagava as parcelas de um Corolla que pertencia a Damasceno. O carro foi adquirido em julho de 2017, no valor de R$ 32,9 mil e Neia usava R$ 1.246 do próprio salário para quitar o veículo do parlamentar. O caso veio à tona em novembro do ano passado. Talita de Menezes confirmou ainda nomeada no gabinete que também devolvia parte do salário: ela deveria receber R$ 4.795, mas todo mês devolvia ao próprio parlamentar R$ 2,5 mil.

Todos os assessores foram ouvidos pela polícia e confirmaram as versões apresentadas na Câmara, todas elas rebatidas por Damasceno ontem. “Damasceno nega que tenha existido a exigência da devolução dos salários dos assessores. As investigações continuam para apurar como ocorreu e que crimes ocorreram”, explica Salgado.

Além de outros citados durante os depoimentos, o Instituto de Criminalística faz agora um exame grafotécnico da carta enviada ao ex-assessor Pascoal no dia do depoimento na Câmara. Os peritos analisam se a caligrafia é de Damasceno. “Assim que tivermos esse retorno daremos a conclusão ao MP. Se entender que há elementos suficientes, a denúncia é repassada à Justiça para instaurar processo criminal. O bilhete com a ameaça foi apresentado durante os depoimentos e esse exame vai verificar se a caligrafia é de Damasceno Júnior”, afirma o delegado.

Antes de depor, o ex-vereador voltou a insinuar que estava sendo vítima de algum tipo de retaliação por não ter apoiado a candidatura a deputado estadual de outras pessoas ano passado. Também garantiu que não será preso porque não há razão para isso.

Reportagem: Josimar Bagatoli

Veja a integra da entrevista coletiva:



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