A formação de florestas com espécies nativas ou exóticas está diretamente relacionada à qualidade das mudas florestais. A produção de mudas é uma das etapas mais importantes da silvicultura, pois inicia o processo da cadeia produtiva. O sucesso de um empreendimento depende da escolha das mudas que serão plantadas no campo. Essas devem apresentar: capacidade de resistência às condições climáticas adversas presentes nas áreas de cultivo e após o plantio realiza-se a avaliação de sobrevivência das mudas, assim como a quantificação da frequência de tratos culturais e de manutenção dos povoamentos.

A definição mais usual entre os profissionais de engenharia florestal para mudas de qualidade “são plantas que possuem sistema radicular e parte aérea bem formada, com bom estado nutricional, livre de pragas e doenças, com altas taxas de sobrevivência e de desenvolvimento após o plantio, que mostrem melhor potencial de crescimento, florescimento e beleza em geral.”.

Os termos crescimento e desenvolvimento tratam-se: o primeiro somente da parte aérea da planta, ou seja, o que está acima da superfície e o segundo, da planta como um todo, a soma da parte aérea e a parte de raízes.

Com a compreensão da relação entre o estabelecimento de um plantio e a qualidade de mudas florestais, quais são os parâmetros que devo avaliar no momento de comprar mudas?

As avaliações determinantes para a qualidade de mudas são obtidas através da mensuração de parâmetros morfológicos – baseados nas características fenotípicas das plantas, como altura da parte aérea e medidas de vigor como o diâmetro do colo, peso da matéria seca total (parte aérea e raiz) e as relações entre essas variáveis, capacidade de enraizamento, de assimilação e finalmente o índice de qualidade de Dickson (IQD) e parâmetros fisiológicos – baseados nas características internas das plantas, como taxa fotossintética, reservas, capacidade de manutenção do balanço hídrico, capacidade de brotação, resistência a pragas e doenças etc. Independente do material vegetal, os parâmetros morfológicos são mais fáceis de mensurar, afinal, são de simples acesso e manuseio comparados aos parâmetros fisiológicos.

Os viveiros comerciais não possuem um sistema operacional de mensuração. Geralmente realizam a avaliação da qualidade de mudas, através de padrões visuais baseados principalmente na altura das mudas. Por isso, diversos trabalhos científicos buscaram compreender quais parâmetros morfológicos são mais eficientes para um profissional ou produtor tratar como fundamentais no momento de compra de mudas.

Não existem valores considerados padrão, pois esses parâmetros, na maioria das vezes, variam de acordo com o potencial genético e a procedência das sementes, ou seja, apresentam diferenças entre as espécies, assim como pode ocorrer dentro de uma mesma espécie.

Então, quais os índices de qualidade considerados como confiáveis posso usar como padrão para escolher as mudas que vou comprar? Estudos determinaram que a altura da parte aérea, o peso seco da parte aérea (biomassa) e a relação entre essas variáveis apresentaram maiores taxas de confiabilidade por resultarem em plantas mais resistentes ao choque do plantio inicial, o aumento da sobrevivência e, consequentemente, a redução de tratos culturais. As variáveis provenientes das raízes também expressam confiabilidade para a qualidade de mudas, porém o fato de ser um método destrutivo torna inviável a mensuração em escala comercial.

Pedro Henrique Riboldi Monteiro é doutor em Engenharia Florestal, associado da Aefos/PR – [email protected]