Chuva: 40% das áreas com feijão estão em situações críticas

Perdas no feijão se acentuam e quatro em cada dez hectares cultivados estão comprometidos

A safra de feijão que vinha sendo a melhor dos últimos anos está ameaçada. Conforme o Deral (Departamento de Economia Rural), 40% das lavouras de feijão que aguardam para serem colhidas na região estão com a qualidade bastante prejudicada e muitas delas nem deixarão o campo. “Tem produtor que só vai passar a máquina em cima. Perdeu tudo”, afirma o técnico do Deral José Pértille.

O motivo para as más condições está no excesso de umidade provocado pela chuva da semana passada. Com mais de 150 milímetros no acumulado em poucos dias, o cereal não resistiu. “As áreas mais atingidas foram as que tiveram aplicação de secante. Se aplicar o secante e não colher em cinco dias, a planta morre. Foi o que aconteceu em muitos casos e agora o grão está rebrotando”, destacou.

A condição se estende por todo o Estado, o que pode traçar um novo indicativo de que o produto volte a subir nas gôndolas.

No oeste foram cultivados 10.650 hectares de onde se esperava colher 22 mil toneladas, 90% considerado feijão de cores e 10% de feijão preto. “Até fomos a campo tentar um levantamento, mas ainda está difícil quantificar as perdas. Isso só será possível mesmo quando se encerrar a colheita. É lamentável”, diz o técnico.

Colheita do milho deve ser intensificada no fim de semana

 

A umidade deixada nas lavouras pelo excesso de chuva da semana passada também fez com que os produtores retirassem as máquinas do campo e a colheita do milho deverá ser retomada apenas no fim de semana na região.

Segundo avaliação do Deral, em torno de 10% das lavouras já foram colhidas no oeste e o resultado, até o momento, tem surpreendido. A média de produtividade está próxima de 7 mil quilos por hectare. Se essas condições se mantiverem, o oeste poderá superar, com certa facilidade, as 5 milhões de toneladas esperadas para a chamada safrinha em 48 municípios atendidos pelos núcleos regionais de Cascavel e de Toledo. “O que foi colhido foi semeado no início de janeiro que é o melhor período para o cultivo desse cereal na segunda safra. De todo modo, o excesso de chuva da semana passada não chegou a prejudicar as lavouras que seguem em excelente qualidade, bem diferentes do feijão”, completou o técnico do Deral José Pértille, que ontem acompanhava um dos poucos produtores que foram a campo colher em Assis Chateaubriand.

Em toda a região foram destinados cerca de 750 mil hectares à cultura e a expectativa é para que tenha milho a ser colhido até a segunda quinzena do mês que vem.

Conforme a colheita avança, a cotação da saca reage. Nos últimos dias ela tem oscilado de R$ 26 a R$ 30. Ontem, por exemplo, era comercializada a R$ 27, R$ 6 a menos que no mesmo período do ano passado, numa retração de 18%. Isso porque o Paraná promete ter uma supersafrinha do cereal, com 13 milhões de toneladas, bem diferente do ano passado, quando o oeste e o Paraná registraram quebra expressiva na produção em decorrência de intervenções climáticas.

Trigo

Já o plantio do trigo, que travou semana passada também em decorrência da chuva, caminha para o fim. Dos 189 mil hectares, em torno de 94% já haviam sido cultivados até ontem (5) e o desenvolvimento é considerado excepcional. A região poderá colher nesta safra de trigo 12% da produção nacional, ultrapassando as 630 mil toneladas. O cultivo deve se encerrar na próxima semana.

Reportagem: Juliet Manfrin



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