Economia

Ataque a sauditas é espécie de 11 de Setembro, diz ANP

O governo americano divulgou fotografias de satélite mostrando ao menos 17 pontos de impacto em várias instalações de energia da Arábia Saudita.

Ataque a sauditas é espécie de 11 de Setembro, diz ANP

São Paulo – Ataques a instalações de petróleo na Arábia Saudita durante o fim de semana fizeram disparar os preços da commodity nessa segunda-feira (16). Eles foram considerados uma espécie de 11 de Setembro do mercado do petróleo pelo diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), Décio Oddone.

Os sauditas viram mais da metade de sua capacidade de produção ser suspensa após os ataques, o que fez as cotações do petróleo chegarem a saltar quase 20% ontem (16).

​Os preços no Brasil subiam 12% no início da tarde, após os Estados Unidos afirmarem que podem liberar reservas estratégicas para aliviar impactos na indústria.

Para analistas, a disparada do preço do petróleo será um teste para a autonomia da Petrobras para definir os preços dos combustíveis em momentos de crise. Contudo, havia quem já projetasse alta de 10% nos preços dos combustíveis no mercado interno ainda esta semana.

Segundo Luiz Carvalho e Gabriel Barra, analistas do banco UBS, a situação é “desafiadora” para a estatal. Além do petróleo, dizem, a taxa de câmbio deve sentir os efeitos da crise, pressionando ainda mais a chamada paridade de importação – conceito usado pela política de preços da estatal, que simula o custo de importação dos combustíveis. “A gestão atual tem conseguido implementar uma estratégia bem-sucedida até agora e esse evento será um importante teste sobre a solidez dessa política.”

Contra-ataque

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o país está “locked and loaded” (armado e carregado) para retaliar com uma ação militar os ataques contra o maior centro produtor de petróleo do mundo, na Arábia Saudita, após um ataque de drones diminuir em 50% a produção do reino.

O governo americano divulgou fotografias de satélite mostrando ao menos 17 pontos de impacto em várias instalações de energia da Arábia Saudita.

Os ataques contra os sauditas vieram do norte ou noroeste do país, o que indicaria que os drones e os mísseis partiram da direção do norte do Golfo Pérsico, do Irã ou do Iraque, e não do Iêmen, onde a milícia houthi apoiada pelo Irã – que assumiu a responsabilidade pelos ataques – opera.

Autoridades do governo disseram que uma combinação de drones e mísseis de cruzeiro poderia ter sido usada. Isso indicaria um grau de ataque, precisão e sofisticação além da capacidade dos rebeldes houthis sozinhos.

Trump não citou diretamente o Irã em seu comentário no Twitter, mas autoridades americanas confirmaram ao jornal New York Times que os relatórios de inteligência indicam os iranianos como os prováveis culpados pelos ataques a importantes instalações petrolíferas da Arábia Saudita no fim de semana.

“O fornecimento de petróleo da Arábia Saudita foi atacado”, disse Trump em um tweet na noite de domingo: “Eestamos aguardando notícias do Reino sobre quem eles acreditam que provocou esse ataque e em que termos procederíamos!”