Agricultura do oeste “perde” R$ 300 milhões nas estradas

Foz do Iguaçu – O setor produtivo no oeste do Paraná perdeu cerca de R$ 300 milhões ano passado devido à falta de uma malha ferroviária adequada ligando uma ponta a outra do Estado, o que faz com que quase todo o transporte seja feito pelas rodovias.

Unimed

A conta, que acaba de ser feita por indústrias e cooperativas, tem como alguns dos indicadores os desgastes dos veículos, mas considera principalmente o peso dos pedágios e o tabelamento do frete, que se tornou obrigatório em junho do ano passado como uma das condições dos caminhoneiros para pôr fim à grave que travou o País em maio.

Para o diretor-presidente da Coopavel e presidente do Sincoopar (Sindicato das Cooperativas Agrícolas, Agropecuárias e Agroindustriais da Região Oeste do Paraná), Dilvo Grolli, a conta é “absurda”. Ele lembra que esse número representa apenas 2018 e revela que o setor produtivo na região oeste tem trabalhado com margens cada vez mais espremidas, gerando menos emprego e renda e, ainda assim, ficando cada vez menos competitivo.

O cálculo

A principal base de cálculo das perdas com o transporte considera o valor de R$ 120 por tonelada de produtos da região oeste até o Porto de Paranaguá pelas rodovias. Se o deslocamento fosse por trem, haveria uma economia de R$ 50 por tonelada, tendo em vista que o escoamento por trilhos não custaria mais do que R$ 70 a cada mil quilos.

Aqui vale ainda outra “conta” paralela: o uso do transporte ferroviário ainda retiraria os caminhões das rodovias, deixando-as menos congestionadas, mais seguras e com menor nível de degradação.

A Ferroeste, em seus 240 quilômetros de Cascavel até Guarapuava, tem capacidade de escoamento de até 10 milhões de toneladas por ano. Contudo, em 2018 bateu seu recorde, beirando 800 mil toneladas apenas, ou seja, menos de 10% da sua capacidade. Dentre os motivos para essa subocupação estão a falta de vagões, de investimentos para reparos na estrada de ferro e o histórico gargalo de Guarapuava até o porto.

Como no ano passado o oeste superou a casa de 5 milhões de toneladas escoadas, assim se chegou ao total de perdas de R$ 300 milhões, que levam em consideração a diferença de preços entre os modais analisados, incluindo pagamento do pedágio – com mais de dez praças de Foz do Iguaçu até o Porto de Paranaguá – e o tabelamento do frete.

Líderes batem o pé e impedem megarreajuste do pedágio

A conta poderia ter sido ainda mais salgada, tanto para quem produz e precisa escoar, quanto para a sociedade civil de modo geral, se líderes regionais não tivessem se articulado no ano passado para segurar o reajuste das tarifas que vinha sendo negociado para as praças de pedágio na BR-277.

Segundo Dilvo Grolli, a proposta que vinha sendo desenhada era de reajuste de pelo menos 15% nas praças administradas pela Ecocataratas. “Mais ou menos em março do ano passado, ainda no governo de Beto Richa, eu e outros líderes regionais participamos de uma reunião informal com o governo do Estado e a proposta era reajustar o pedágio da Ecocataratas em 15%. Batemos o pé, brigamos e conseguimos segurar isso”, revela.

Grolli conta que a justificativa, na época, era a inclusão de um degrau tarifário que incluía obras como a construção do novo posto da Polícia Rodoviária Federal em Cascavel e os seis quilômetros entre esse posto até o trevo de São João, obra que chegou a ser anunciada pelo ex-governador e que foi cortada sem que ninguém ficasse sabendo.

Ocorre que em junho de 2017, quando a duplicação já havia iniciado, veio a confirmação, feita em primeira mão pelo Jornal O Paraná, de que os 9,1 quilômetros entre os Trevos Cataratas e São João viraram 3,1 km.

Após pressão do setor produtivo e de líderes regionais, Beto Richa chegou a garantir, ainda em setembro daquele ano, que o próprio Estado duplicaria os 6 km e que a obra seria licitada ainda naquele ano. Até hoje nem mesmo os projetos foram concluídos.

Para tentar compensar seu próprio erro, o ex-governador tentou articular o reajuste do pedágio em 15%, que entraria em vigor em dezembro passado. “Não aceitamos e batemos o pé, tanto é que basta analisar quanto foi o reajuste do pedágio na BR-277, administrada pela Ecocataratas, e de quanto foi na Viapar, na BR-369. Ali os líderes regionais não conseguiram segurar o degrau tarifário”, compara Dilvo.

Os reajustes

O polêmico reajuste do pedágio em dezembro do ano passado demorou duas semanas para ser definido. No trecho administrado pela Ecocataratas, o aumento foi de 7,69%, enquanto a Viapar conseguiu reajustar até 17,69%. “Se na BR-277 o reajuste proposto de 15% tivesse entrado em vigor, as perdas do setor produtivo neste ano seriam ainda maiores”, acrescenta Dilvo.

 


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