Brasília – Em agosto, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) – que mede a inflação oficial do País – subiu 0,87%, a maior alta para o mês desde 2000, informou o IBGE nessa quinta (9). O índice ficou um pouco abaixo do alcançado em julho (0,96%), mas, no acumulado em 12 meses, chega perto dos dois dígitos (8,99%).

O índice acumulado é muito superior à meta de inflação perseguida pelo Banco Central em 2021, que é de 3,75%, com tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos (2,25% a 5,25%).

De acordo com o IBGE, o maior impacto para a inflação de agosto veio do grupo de transportes, que subiu 1,46% no mês, seguido por alimentação e bebidas (1,39%) e habitação (0,68%).

Em transportes, a alta média dos combustíveis foi de 2,96%. O maior impacto individual veio da alta de 2,8% da gasolina. Em alimentação e bebidas, houve aceleração na inflação tanto da alimentação no domicílio (1,63% em agosto) quanto fora dele (0,76%).

O grupo habitação foi afetado principalmente pela alta da energia elétrica (1,1% na média nacional), que, ainda assim, foi mais suave que a do mês anterior (7,88%). No entanto, em setembro houve um novo – e forte – aumento no adicional tarifário (bandeira), que deve elevar as contas de luz em 6,78%, em média, e pressionar o IPCA deste mês.

Selic a 9% no fim do ano

A alta da inflação já mexe com as projeções de analistas do mercado para a Selic, a taxa básica de juros. “O IPCA de agosto será uma chamada para revisões de inflação e Selic”, diz o sócio e economista-chefe da AZ Quest, Alexandre Manoel. Ele esperava uma alta de 0,71% do IPCA e admite que foi surpreendido pela alta dos preços industriais.

A previsão da AZ Quest para a inflação no ano, que atualmente é de 7,70%, será revista para cima e a Selic, que, para o economista, estava se descolando da sua projeção de 7,75% para algo como 8%, agora está mais para 9% no fim de 2021.