Curitiba – No dia 3 de outubro, mais de 400 delegados de Polícia Civil de todo o Estado irão às urnas para definir a lista tríplice que vai indicar o nome do próximo delegado-geral de Polícia Civil do Paraná. A eleição, feita por meio eletrônico, servirá de termômetro para o próximo governador, ou governadora, do Estado, quanto ao nome de preferência da classe para o cargo.

Historicamente, o delegado-geral é uma decisão unilateral do governo eleito, porém, os delegados querem mudar esse quadro promovendo a indicação de três nomes como opção: “Há mais de 30 anos conseguimos estabelecer que para ocupar o cargo de delegado-geral o indicado pelo governo deveria ser um delegado de carreira. Agora, chegou a hora de avançar mais e assegurar que o nome indicado seja em comum acordo com os delegados de polícia e não apenas pela preferência do governo”, explicou o delegado e presidente da Adepol-PR, Daniel Fagundes.

Concorrem todos os delegados de primeira classe que não respondam a processos administrativos ou criminais, ou que tenham sido absolvidos dos mesmos.

Defasagem

Salários defasados, delegacias com carceragens superlotadas, equipes reduzidas, número insuficiente de delegados, escrivães, investigadores. Para o presidente da Adepol-PR, a realidade da Polícia Civil precede o caos: “Para se ter uma ideia, existem hoje 780 vagas para delegados no estado. Dessas, 413 estão ocupadas. Temos 367 vagas não ocupadas. Em oito anos muito pouco ou quase nada foi feito. Os problemas são os mesmos, as deficiências se mantiveram, as carceragens das delegacias se mantiveram superlotadas funcionando como verdadeiras bombas-relógio. É hora de mudar isso, é hora de estreitar esse diálogo e exigir seriedade e compromisso do próximo governo e a indicação do delegado-geral é o primeiro passo para isso”, concluiu Fagundes.