PARANÁ

Sem projeto, Cascavel corre risco de perder recursos para as obras do Contorno Norte

Em Cascavel, acontece o entroncamento das rodovias BR-277, 163 e 369 - Foto: Arquivo/O Paraná
Em Cascavel, acontece o entroncamento das rodovias BR-277, 163 e 369 - Foto: Arquivo/O Paraná

Cascavel - Cascavel é um dos principais entroncamentos logísticos do Paraná, onde passam as principais rodovias do estado e o escoamento da produção agroindustrial não apenas do Paraná, mas também de outras regiões e até países vizinhos. No entanto, algumas obras estratégicas para melhorar esta logística seguem em discussão e, uma das prioridades da sociedade empresarial organizada, é a construção de um Contorno Norte, importante peça na infraestrutura desse grande entroncamento logístico, desafogando o tráfego urbano e ligando a BR-467, Contorno Oeste e Trevo Cataratas.

No início deste ano, a Codesc (Coordenadoria de Desenvolvimento Econômico e Sustentável de Cascavel) reuniu políticos de Cascavel e também representantes de entidades locais para discutir o assunto. Durante a reunião, já havia sido alertado pelo presidente da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), Edson Vasconcelos, que seria necessário um esforço conjunto para que a obra saísse do papel, já que o projeto precisaria estar pronto até abril de 2026, sob o risco de perda de recursos.

E é exatamente a ausência de um projeto executivo para o Contorno Norte que ameaça comprometer a obra. Com um orçamento estimado em R$ 500 milhões, a falta de definições coloca em risco a viabilização da obra.

NADA OFICIAL

O presidente da Codesc, Ricardo Lora, afirmou que ainda não há um compromisso formal da Itaipu Binacional para financiar o EVTEA (Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental), essencial para a continuidade do projeto. “Nós não tivemos nenhuma informação oficial sobre a viabilização do Contorno Norte por parte da Itaipu. Há algumas semanas, houve conversas indicando que o EVTEA do Contorno Sul poderia ser contemplado e que tentariam incluir o Norte, mas até agora nada foi oficializado”, explicou Lora.

A falta de definição sobre o projeto executivo estaria gerando preocupação, já que a demora poderia inviabilizar a liberação dos recursos já sinalizados pelo Governo do Estado para a execução da obra.   

Recursos da obra

Além disso, segundo Ricardo Lora, a legislação eleitoral impede que obras sejam licitadas em ano de eleições gerais, como será 2026. Por isso, o projeto deve estar pronto nos próximos 12 meses para permitir que a licitação ocorra antes do período vedado pela lei. Caso contrário, há risco de perda dos recursos estaduais. “O que a gente pode perder é o recurso da obra, não o recurso do projeto. O recurso do projeto nós não temos ainda, o que nós temos encaminhado é o recurso da obra com o governo do Estado”, alertou.

Recursos próprios para o projeto

Para evitar atrasos, há sugestões para que a Prefeitura de Cascavel financie o projeto com recursos próprios do município e depois repasse a responsabilidade para o IPC (Instituto de Planejamento de Cascavel). Essa alternativa aceleraria a tramitação burocrática e evitaria depender exclusivamente da Itaipu. “O nosso plano é buscar fazer esse projeto com recursos municipais para garantir uma maior velocidade, que talvez ficar esperando a Itaipu não seja. A não ser que a Itaipu nessa semana ainda, no máximo no começo de semana que vem dê algo formal para nós sobre o que vai acontecer”, disse o presidente do Codesc.