SÃO PAULO O juiz Sérgio Moro autorizou a quebra dos sigilos telefônicos do ex-ministro Gilberto Carvalho e do operador do mensalão, o publicitário Marcos Valério. Os pedidos foram feitos pelo Ministério Público Federal (MPF) ao juiz que, após autorizar, colocou sigilo as investigações. Carvalho foi um dos principais assessores do ex-presidente Lula no governo.
Valério e Carvalho são investigados na 27ª da Operação da Lava-Jato, batizada de Carbono 14, que apura um possível elo entre o esquema de corrupção na Petrobras e o caso do mensalão. Para Lava-Jato, parte do empréstimo fraudulento feito pelo pecuarista José Carlos Bumlai junto ao Banco Schahim foi usado para comprar o silêncio do empresário Ronan Maria Pinto.
Em depoimento prestado em 2012, o publicitário Marcos Valério, operador do PT no mensalão, afirmou ter pedido a Bumlai que providenciasse R$ 6 milhões para repassar a Ronan Maria Pinto, dono do jornal Diário do Grande ABC.
De acordo com o depoimento de Valério, o empresário estava chantageando o ex-presidente Lula, o então secretário da Presidência Gilberto Carvalho e o ex-ministro José Dirceu, por ter informações comprometedoras a revelar sobre a morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel.
Ao autorizar a Operação Carbono 14, Moro disse que o depoimento do publicitário, embora deva ser visto com muitas reservas, revela uma possível ligação entre os casos.