Entenda como o Manejo sustentável é crucial para a produtividade e rentabilidade no campo com técnicas eficazes - Foto: Vandré Dubiela/O Paraná
Entenda como o Manejo sustentável é crucial para a produtividade e rentabilidade no campo com técnicas eficazes - Foto: Vandré Dubiela/O Paraná

Cascavel e Paraná - Manejo sustentável não é receita pronta nem produto milagroso. É resultado de planejamento, técnica e trabalho contínuo no campo. Essa é a principal mensagem levada ao público do Show Rural Coopavel nas áreas do IDR-Paraná dedicadas à fruticultura e à olericultura, onde práticas que reduzem custos e minimizam o uso de defensivos químicos são apresentadas como estratégia central para garantir produtividade, qualidade e rentabilidade ao produtor.

No espaço técnico, o engenheiro agrônomo do IDR-Paraná, Luiz Carlos Retcheski Junior, falou à equipe de reportagem do Jornal O Paraná. Ele reforça que não existe solução isolada capaz de resolver os desafios da lavoura. “Vamos parar para pensar. O produtor está sempre em busca de um produto milagroso, um produto mágico que resolve todos os problemas. E esses problemas só vão ser resolvidos se várias técnicas forem empregadas no sistema de produção”, afirma. Segundo ele, o manejo começa no solo — com correção adequada e adubação equilibrada — e se estende aos tratos culturais, manejo fitossanitário e colheita.

Na fruticultura, onde predominam culturas perenes e de longo prazo, o cuidado precisa ser ainda mais estratégico. “É uma planta que fica durante anos na área, demora a produzir. Então ele tem que ter esse cuidado para quando a planta for exprimir o potencial produtivo dela, ele ter retorno financeiro”, explica Retcheski. Técnicas como manejo de poda para maior entrada de luz no interior da planta, escolha correta da época de plantio e uso de coberturas plásticas em determinadas culturas, como a uva, são exemplos de práticas que ajudam a controlar doenças e reduzir a necessidade de aplicações químicas.

Os princípios da prática

O princípio do manejo sustentável, destaca o agrônomo, está diretamente ligado à adoção de práticas que minimizam a dependência de insumos externos. “Muitos desses tratos culturais são feitos com o intuito de minimizar a utilização de produtos químicos. Logicamente, se o produtor precisar, a gente orienta a utilização. Mas sempre procurando reduzir o uso de inseticidas e fungicidas”, pontua. A estratégia envolve desde práticas biológicas até ajustes no sistema produtivo que permitam prevenir problemas antes que eles exijam intervenções mais intensas.

Na olericultura, a lógica é semelhante, mas o ritmo é mais acelerado. Com ciclos curtos — que variam de 60 a 120 dias —, a pressão por decisões rápidas e manejo intensivo é maior. “Na fruticultura, a planta leva dois ou três anos para começar a produzir. Na olericultura, a produção é praticamente imediata. Então a demanda de trabalho é muito mais intensa”, explica. Apesar disso, ele ressalta que ambas as atividades estão entre as mais rentáveis por metro quadrado ou por hectare, desde que o produtor execute corretamente os tratos culturais.

Trabalho otimizado

Outro ponto destacado no Show Rural é o mito de que o manejo sustentável exige mais mão de obra e encarece a produção. Para Retcheski, ocorre justamente o contrário. “Existe essa ideia de que se usa o produto químico para não precisar de mão de obra. Mas quando o produtor realiza os tratos adequados, ele otimiza a mão de obra e reduz a necessidade de produtos externos à propriedade”, afirma. O resultado é a diminuição dos custos de produção e o aumento da margem de lucro.

Segundo o engenheiro agrônomo, a redução de custos passa por decisões técnicas bem fundamentadas: adubar de forma eficiente, corrigir o solo apenas quando necessário e utilizar defensivos somente quando não há alternativa viável. “Pensando do ponto de vista comercial, estamos sempre buscando reduzir custo, porque o produtor precisa aumentar a margem de lucro dele”, reforça.

Ao evidenciar essas práticas no Show Rural Coopavel, o IDR-Paraná mostra que o manejo sustentável vai além de uma tendência: é uma estratégia econômica e ambientalmente responsável. Na fruticultura e na olericultura, o caminho para a produtividade não está em soluções imediatistas, mas na soma de técnicas bem aplicadas, planejamento e dedicação contínua no campo.