Cascavel tem motivos para comemorar: quarto município que mais gerou empregos no Paraná em 2025, segundo o Novo Caged - Foto: Secom
Cascavel tem motivos para comemorar: quarto município que mais gerou empregos no Paraná em 2025, segundo o Novo Caged - Foto: Secom

Cascavel e Paraná - Se existe um termômetro confiável para medir a saúde econômica de uma cidade, ele atende pelo nome de “Novo Caged”. E, segundo esse velho conhecido dos números — que não entrega troféu, mas entrega dados — Cascavel tem motivos concretos para comemorar: foi o quarto município que mais gerou empregos no Paraná em 2025, atrás apenas de Curitiba, Londrina e São José dos Pinhais. Nada mal para quem prefere carteira assinada a medalha decorativa.

Foram 82.496 admissões contra 79.243 desligamentos, saldo positivo de 3.253 empregos formais e crescimento de 2,74%, acima inclusive da média estadual. A construção civil puxou a fila, com desempenho robusto e milhares de contratações. Em bom português: gente trabalhando, renda circulando e a economia andando — sem necessidade de aplausos coreografados.

“Cidades Excelentes”

Mas, se os números do Caged são duros como concreto, alguns rankings parecem feitos de material bem mais flexível. Durante a gestão do ex-prefeito Leonaldo Paranhos, Cascavel chegou a ser anunciada como a segunda melhor cidade do Brasil em premiação ligada ao Instituto Áquila (Prêmio Cidades Excelentes), justamente no período em que a Prefeitura era comandada por Paranhos e mantinha contratos sem licitação com a entidade. Coincidência?

Os pagamentos somaram R$ 2,6 milhões entre 2022 e 2023, divididos em parcelas superiores a R$ 140 mil. Documentos públicos mostram que os repasses ocorreram antes e depois das premiações. Agora vem a parte curiosa do roteiro: sem contrato vigente, o mesmo instituto passou a classificar Cascavel apenas na 75ª posição nacional, conforme atualização consultada na quinta-feira (12) pelo Hoje Express. Uma queda vertiginosa que já havia sido denunciada pelos jornais O Paraná e Hoje Express.

Investigação

O assunto, claro, atravessou a rua e chegou à Câmara Municipal. Vereadores pedem explicações sobre os serviços prestados e sobre a inexigibilidade de licitação. O vereador Edson Souza (MDB) já fala abertamente na possibilidade de instalação de uma CPI, instrumento clássico quando a política decide trocar aplausos por perguntas.

Enquanto isso, fora do mundo dos troféus reluzentes, a vida real segue medida por contratações, obras e folhas de pagamento. Cascavel continua gerando empregos, atraindo trabalhadores e mantendo o tal “DNA do trabalho” que não depende de certificado emoldurado.

No fim das contas, fica a dúvida que paira no ar como marchinha propícia para a véspera do Carnaval: é melhor subir em ranking… ou subir na vida?