A assistência técnica e extensão rural voltaram a investir de forma mais intensa nos viticultores em Toledo. O objetivo é voltar a ser referência estadual na produção de uvas já para o fim deste ano, período mais tradicional de consumo, como no Natal e no Ano Novo.

Extensionista do Instituto Emater, o agrônomo Célio Potrich, que é uma das principais referências no setor, reuniu 11 produtores, a maioria remanescente, e que plantam em escala comercial. Segundo ele, o grupo está animado e o momento é de pensar nos tratamentos de inverno, na poda e na adubação para garantir uma boa safra. “Neste momento, estamos no início do tratamento de inverno e adubação para poda. São cerca de oito hectares no total, mas essa área já foi muito maior, porém, nesse grupo não estão todos os produtores do Município”, observa.

A viticultura apareceu mais fortemente em Toledo a partir dos anos de 1990 como uma excelente opção para diversificação da pequena propriedade e de fomento à agricultura familiar. Aos poucos foi conquistando adeptos, chegou a somar 45 hectares de parreirais no fim da década passada e no início desta, mas o desinteresse e a falta de estímulo fizeram os parreirais minguarem nos últimos anos.

O grupo de trabalho recém-formado quer resgatar o cultivo.

Hoje os atendidos por Potrich produzem, na maior parte, uvas consideradas de mesa e entre as principais variedades estão a niágara rosada, a bordô, a vênus e a isabel precoce.

Ainda é cedo para arriscar uma expectativa de produtividade e de produção para este ano, mas, se o comportamento climático for dentro do esperado, Toledo tem tudo para colher uma excelente safra. “A uva depende muito da dedicação, do empenho. É algo que dá resultados, tanto em qualidade, como em quantidade e retorno financeiro, mas é preciso se empenhar”, completou o extensionista.

Integração

A formação do grupo também contribuiu para que os viticultores se aproximarem. Apesar de produzirem no mesmo município, alguns não se conheciam. Além desse envolvimento, o foco está na troca de experiências. “Todos os anos a comercialização é garantida, pois cerca de 80% da uva consumida no Município vem de fora, tem muito mercado a ser trabalhado”, reforçou.

E se o momento é de podar e tratar dos parreirais para garantir a produção de fim de ano, você deve estar se perguntando de onde tem vindo a uva que está à venda nos supermercados e feiras em pleno inverno. A resposta também é dada por Potrich: elas vêm da região do Vale do Ivaí, onde não faz muito frio e a safrinha está a todo vapor. “Estive lá há pouco tempo e eles estão colhendo a melhor safrinha dos últimos dez anos e isso tem a ver com o clima”, completou, ao lembrar que os fatores climáticos dificilmente atrapalham a produção em Toledo, mas que o cultivo depende essencialmente dos tratos culturais.

“Temos tudo para ter uma boa produção este ano, mas quem está na atividade precisa levá-la a sério. Se houver investimento, há retorno, mas a cultura precisa ser tratada de forma profissional“, acrescenta.