Uma denúncia formalizada no Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) contra um soldado do 6º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Cascavel na manhã de ontem, revelou um caso de perseguição, agressão e detenções ilegais contra um morador da região sul da cidade.

Os nomes dos envolvidos não foram divulgados, mas, segundo o advogado Maikon Michel de Medeiros, em um espaço de apenas um ano seu cliente foi abordado aproximadamente 30 vezes por um mesmo policial, sem nunca ter sido preso. Na noite da última quinta-feira (18) o rapaz, que é empresário, foi abordado e agredido pelo mesmo policial que estava à paisana. Segundo a vítima, além da agressão física, o policial ainda engatilhou a pistola contra ele.

O caso foi denunciado também ao comando da Polícia Militar e à corregedoria da corporação. Para a defesa da vítima, é estranho uma mesma pessoa ser abordada 30 vezes em um ano. “O comando da Polícia Militar tem que saber controlar seus policiais com relação a esse tipo de conduta – lesão corporal ameaça –, inclusive chegou um recado ao meu cliente dizendo que ele tinha 30 dias para sair do bairro”, afirmou o advogado.

Medeiros diz que não há uma justificativa para a perseguição e pede providência para que cesse esse tipo de conduta por parte do agente público. “Alguém tem que tomar uma atitude antes que aconteça algo mais grave com o meu cliente e não tenha como consertar mais isso”, observa.

Para o advogado, esse é um caso isolado, mas que precisa ser investigado para deixar de acontecer. “Nós enaltecemos o serviço da Polícia Militar, elogiamos, mas existem alguns policiais que não sabem o que é ser um profissional de segurança pública. Nós não estamos em 1964”, diz numa alusão ao início do regime militar quando pessoas eram perseguidas e até mortas pela ditadura.

Outro caso

Segundo o advogado, há relato de outra pessoa que também foi vítima do mesmo policial, mas que tem medo de apresentar denúncia. Em outro caso defendido por Medeiros, um rapaz teria sido deixado preso dentro do camburão durante cinco horas.

O que diz a PM

A Polícia Militar informou que foi aberto um procedimento administrativo para apurar a conduta do policial. “Quem se sentir ofendido, ou achar que o policial não agiu de forma correta pode procurar o batalhão mesmo, ou a corregedoria e fazer os seus questionamentos para daí a gente abrir um procedimento interno. Lembrando que existem algumas denúncias que são inverídicas e falsas, ou até exageradas referentes aos policiais e assim como qualquer um da sociedade tem o direito de fazer a reclamação pública, o policial, posteriormente, se for verificado que não abusou ou cometeu crime, da mesma forma ele pode acionar na justiça aquele que reclamou ou acabou falando inverdades referentes a ele”, diz Roberto Tavares, oficial de Relações Pública da PM.