Rio de Janeiro – A Petrobras anunciou nessa quinta-feira (18) o maior reajuste de preços de combustíveis do ano. O óleo diesel vai ficar 15,2% mais caro a partir desta sexta-feira (19) e a gasolina, 10,2%. Com mais esse reajuste, o quarto desde o início de janeiro, o diesel e a gasolina já acumulam alta de 27,5% e 34,8% em 2021. Tamanho avanço de preço nas refinarias vai atingir o consumidor nesta semana e também deve aparecer nos indicadores de inflação de março.

Conforme comunicado da estatal, os preços da Petrobras estão alinhados aos do mercado internacional. Ou seja, quando a cotação do petróleo sobe nas principais bolsas de negociação do mundo, a estatal revisa seus valores também no Brasil. O petróleo é a matéria-prima dos combustíveis e, por isso, costuma ser usado como referência na formação dos preços dos seus derivados, como gasolina e diesel.

Neste mês, o preço do petróleo ganhou força principalmente por conta do frio nos Estados Unidos, onde o consumo avançou e os estoques baixaram em quase 6 milhões de barris. Além disso, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep, cartel que reúne alguns dos maiores produtores globais) tem indicado cortes de produção, para forçar ainda mais a alta dos preços.

Com a expectativa de que haja mais demanda que oferta de óleo no mundo, o produto fica mais caro. Em Londres, o barril do petróleo do tipo Brent fechou o pregão de quarta a US$ 64,34, patamar que não era alcançado desde janeiro do ano passado, antes da pandemia de coronavírus.

 

Impacto na inflação

Os combustíveis vão começar a pesar no bolso da população a partir desta semana e na inflação, em março, segundo analistas de mercado.

O economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, acredita que “tal magnitude de reajuste na refinaria deve afetar as bombas apenas no terceiro decêndio de fevereiro, com grande parte do impacto no IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo] de março”. A Armor Capital projeta alta de 0,15 ponto porcentual na inflação do mês que vem.

José Alberto Gouveia, representante dos revendedores de combustíveis de São Paulo, diz que, com a pandemia de coronavírus, o consumo de combustíveis caiu nos últimos meses. Esse fator, somado à concorrência, fez com que os donos de postos contivessem parte dos reajustes da Petrobras até esta semana. Mas, a partir de agora, a tendência é que repassem a maior parte da alta para as bombas.