São Paulo – A intervenção do presidente Jair Bolsonaro na Petrobras, com o anúncio, na sexta-feira, de que iria trocar o presidente da estatal, provocou forte impacto no mercado financeiro nessa segunda-feira. As ações da Petrobras foram as mais atingidas e lideraram entre as perdas do Ibovespa, com queda de mais de 21%. Mas os efeitos não se restringiram à petroleira. Os papéis de outras estatais também tiveram queda forte: Banco do Brasil caiu 11,06%, e Eletrobrás, cerca de 0,69%, após cair mais de 7% no começo do pregão.

Em resposta, a Bolsa brasileira, B3, fechou em queda de 4,87%, aos 112.667,70 pontos. Na mínima do dia, por conta da queda nos papéis da petroleira, o Ibovespa tocou os 111 mil pontos. Já os papéis ON e PN da Petrobras tiveram quedas de 20,48% e 21,15%, cada. “Sozinhas, as duas ações da Petrobras derrubaram mais de 2 mil pontos do índice hoje”, aponta João Vitor Freitas, analista da Toro Investimentos.

O câmbio também foi afetado pela pressão interna causada pela interferência na Petrobras. O dólar fechou a segunda em alta de 1,27%, cotado a R$ 5,4539, em resposta ao leilão de US$ 1 bilhão feito pelo Banco Central, após bater em R$ 5,53 na máxima do dia. A turbulência também faz crescer a aposta na alta dos juros: aumentaram as projeções de aumentos de 0,5 ponto porcentual da Selic, a taxa básica de juros brasileira, em março e maio.

A perda em valor de mercado da companhia ontem soma R$ 73,2 bilhões. No pregão anterior, após as ameaças do presidente, foi registrada perda de R$ 28,2 bilhões. Isso depois de perder quase R$ 30 bilhões na sexta. Pelo menos seis instituições financeiras rebaixaram a recomendação para os papéis e reduziram o preço-alvo da companhia para os próximos 12 meses.

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) anunciou que abriu um processo para investigar a troca no comando da estatal.

Pelo menos seis bancos e casas de investimento cortaram a recomendação dos papéis da Petrobras – XP, Guide, Safra, BTG Pactual, Credit Suisse e Bradesco BBI -, apontando os riscos à política de preços da empresa pode com a mudança na presidência e também a nebulosidade que isso traz para outras iniciativas da empresa, como a venda de ativos não essenciais e a alocação de capital no pré-sal, considerado mais rentável.

Reunião

Para membros do conselho de administração da Petrobras, que têm reunião marcada para esta terça (23), a mudança no comando da empresa é vista como inevitável. Alguns conselheiros da estatal estudam votar pela recondução do presidente Roberto Castello Branco, mas o estatuto dá poder para a União para fazer a troca.

O mercado também acompanha novas mudanças prometidas por Bolsonaro. No sábado, ele disse que fará trocas no governo envolvendo o primeiro escalão. “Eu não tenho medo de mudar, não. Semana que vem deve ter mais mudança aí para… E mudança comigo não é de bagrinho, não, é tubarão”, disse a apoiadores. “Vamos meter o dedo na energia elétrica, que é outro problema também”, completou.