Governo e entidades pedem prorrogação do plantio do milho

O pedido foi motivado por condições climáticas adversas, como altas temperaturas e falta de chuvas, que fizeram com que os produtores retardassem o plantio de soja no Paraná.

Curitiba – A Secretaria de Estado da Agricultura, o Sistema Faep e o Sistema Ocepar pediram ao Ministério da Agricultura a prorrogação do período de semeadura do milho de segunda safra, no ciclo 2019/2020. O pedido foi motivado por condições climáticas adversas, como altas temperaturas e falta de chuvas, que fizeram com que os produtores retardassem o plantio de soja no Paraná. A solicitação é para que o plantio do Faemilho safrinha seja prorrogado por 20 dias.

O ofício foi enviado à ministra Tereza Cristina no último dia 10. Segundo o documento, o plantio tardio da soja em decorrência dos fatores climáticos provocou “um natural retardamento do período de colheita de soja, o que impedirá que a semeadura do milho de segunda safra seja efetuada dentro do melhor período recomendado pelo Zarc”, o zoneamento agrícola de risco climático, que protege os produtores em caso de acionar o seguro agrícola.

O documento, assinado pelo secretário estadual Norberto Ortigara, pelo presidente da Faep, Ágide Meneguette, e pelo presidente da Ocepar, José Roberto Ricken, alerta ainda para a importância de uma boa safra de milho para “não sustentar um nível muito elevado de preços, que está afetando os custos das cadeias de proteínas animais”.

 

Perigo à vista

O atraso no plantio da soja em mais de um mês nas regiões oeste e sudoeste do Estado pode reduzir a área de milho segunda safra. “O atraso no plantio do milho é certo, pois a soja deve começar a ser colhida em fevereiro. Mas ainda é cedo para dizer qual será o real reflexo disso na área plantada. A nossa previsão agora é de redução de cerca de 5%, ou seja, 100 mil hectares a menos do que 2,119 milhões previstos. Somente no fim de janeiro é que já teremos um panorama mais claro da intenção de plantio do produtor”, explica o analista de milho do Deral (Departamento de Economia Rural) Edmar Gervásio.

Ele lembra que, se o clima colaborar, o plantio começa com atraso mas ainda dentro do prazo previsto. “Se o clima estiver favorável ao plantio é possível que aconteça um plantio mais concentrado e menos escalonado, como de costume. Na prática, significa que as áreas devem ser plantadas quase todas na mesma época, enquanto em anos normais são plantadas com um intervalo de tempo, uma aposta do produtor para tentar driblar possíveis prejuízos com o clima no fim do ciclo. Em caso de geada, por exemplo, uma lavoura pode ser mais ou menos atingida dependendo da fase em que se encontra. Então é mais uma possibilidade que o produtor vai levar em conta na hora da decisão de plantar ou não. Pode ser que haja uma substituição por trigo também, mas é cedo para ter uma panorama de como será”, enfatiza.

Lavouras melhoram no oeste

A volta das chuvas, que em algumas regiões têm sido registradas diariamente neste mês, trouxe uma melhora significativa nas lavouras de soja, especialmente na região de Toledo. “As chuvas têm sido muito benéficas para a soja. Na região de Toledo, onde foram registradas menos chuvas em dezembro do que em outras regionais, a qualidade das lavouras melhorou bastante. Há cerca de um mês tínhamos 70% da área plantada considerada de boa qualidade, agora são 83%, 5% média e 12% ruim. A planta está bonita e saudável”, avalia a técnica Jean Marie Ferrarini, do Deral.

Na região de Cascavel, a qualidade é ainda melhor. “De modo geral, as lavouras estão muito boas. Esperamos que continue chovendo, já que a maioria das lavouras do oeste (88%) está em fase de frutificação e 12% em floração, então a chuva é essencial”.

 



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