CORONAVÍRUS

Governo bate martelo para entrada de Forças Armadas em vacinação

04 de abril de 2021 às 08:15
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Brasília – O governo decidiu nesse sábado (3) avançar com o plano de usar militares das Forças Armadas na campanha de vacinação contra a covid-19 no Brasil. O assunto foi tratado em reunião nessa sábado com os ministros Braga Netto (Defesa) e Marcelo Queiroga (Saúde). Especialistas apontam, no entanto, que o gargalo para acelerar a campanha de  vacinação é a falta de doses, não de postos de aplicação.

Na semana passada, Bolsonaro já havia afirmado, em conversa com apoiadores, que estudava acionar batalhões para participar da operação. A ideia seria aumentar o ritmo de aplicação em um momento que se espera ampliar o número de doses no País.

Ontem, em visita a uma comunidade no Distrito Federal e ao lado de Braga Netto, o presidente voltou a falar no assunto: “As Forças Armadas estão dispostas a colaborar na vacinação”, disse Bolsonaro, em transmissão ao vivo nas redes sociais.

Na semana passada, Queiroga afirmou que o plano do Ministério da Saúde é garantir a aplicação de 1 milhão de doses por dia. Especialistas apontam que a meta é factível, mas tem pontos de incerteza. O principal ponto é garantir que as vacinas cheguem nas datas previstas, o que não tem ocorrido.

Na última quinta, dia 1º, o País registrou 1.095.362 pessoas que receberam a primeira ou a segunda dose, a primeira vez que ultrapassou a marca de 1 milhão por dia.

Caso o cronograma mais recente seja cumprido, em abril, o Brasil passa a ter em estoque mais vacinas do que o necessário para manter esse ritmo de vacinação. Em outubro, já terão sido adquiridas doses para vacinar a população inteira. E, com 1 milhão de aplicações por dia, 75% da população será vacinada neste ano.

O calendário, no entanto, inclui pontos que geraram dúvidas em especialistas, como contratos ainda não assinados e vacinas ainda não autorizadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A previsão de entrega de vacinas para abril já foi alterada várias vezes; Inicialmente, eram previstos 57 milhões de doses, número de que foi reduzido para 47 milhões e, depois, para 38 milhões, na versão do dia 19 de março. e, nessa semana, Queiroga falou em 25,5 milhões de doses.

Capilaridade

Na avaliação do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), que participou das tratativas, a entrada de militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica na operação ajudará a aumentar a capilaridade na aplicação de doses. “Estão faltando capilaridade e mais postos de vacinação porque existem muitas doses entregues pelo governo e ainda não aplicadas. Todo esforço concentrado é para agilizar essa vacinação. Por isso a decisão do presidente. O fluxo de vacinas só vai aumentar daqui para frente”, disse o senador.

O parlamentar disse ainda que as Forças Armadas devem atuar para evitar fraudes na aplicação, como os indícios de “aplicações de vento”: “Tem muita vacina entregue e não aplicada, com aplicação de vento, aplicação de soro fisiológico em vez da aplicação de vacinas, há denúncias de vacinas falsas. Então as Forças Armadas vão para a rua para aplicar”.

A fraude a que o parlamentar se refere é a denúncia de que empresários teriam participado de uma campanha de vacinação clandestina em Minas Gerais. As investigações indicam que o material aplicado seria soro fisiológico.

Mais vacinas e kit intubação

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou ontem que o governo federal discutiu com representantes da OMS (Organização Mundial da Saúde) e com a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) o envio de mais vacinas contra a covid-19.

“Discutimos hoje [ontem] com OMS a possibilidade para disponibilizar mais vacina nos próximos três meses e, com isso, acelerar a vacinação”, disse.

Queiroga afirmou ainda que a pasta trabalha para a importação de vacinas com o consórcio Covax Facility, liderado pela OMS. Segundo Queiroga, o Brasil alocou US$ 150 milhões para o consórcio para ter vacinas para cobrir 10% da população brasileira.

De acordo com Queiroga, serão disponibilizadas em abril 30 milhões de doses aos estados e aos municípios contra a covid-19. “O primeiro objetivo em abril é que consigamos permanecer todos os dias com esse 1 milhão de doses. Para tanto, temos a Fiocruz e o Instituto Butantan, assegurando 30 milhões de doses em abril”, disse o ministro.

Outro anúncio feito pelo ministro foi um acordo com a Opas para o fornecimento do kit intubação. De acordo com a Opas, diversos medicamentos usados para o procedimento em pacientes com covid-19 devem chegar ao Brasil entre duas e quatro semanas.

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