Rio de Janeiro – O País alcançou em agosto o recorde 11,890 milhões de famílias endividadas, segundo dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). A Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), iniciada em 2010, registrou ápice de 72,9% dos lares brasileiros com dívidas em agosto, alta de 1,5 ponto porcentual em relação a julho, quando essa proporção era de 71,4%.

O indicador já acumula nove meses de aumentos consecutivos. Na comparação com agosto de 2020, quando o total de endividados somava 67,5%, o avanço foi de 5,4 pontos. Ou seja, em apenas um mês, mais 251,6 mil famílias contraíram dívidas. Em um ano, são 930 mil lares endividados a mais.

A pesquisa da CNC considera como dívidas as contas ainda a vencer no cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa.

Entre as famílias de renda mais baixa, que recebem até 10 salários mínimos mensais, 74,2% estão endividadas, um recorde. Na faixa de renda mais elevada, que recebe mais de 10 salários mínimos mensais, também há um ápice de 67,6% de endividados.

O aumento na contratação de dívidas pelos consumidores começou a se acirrar ainda no último trimestre do ano passado. A tendência é de crescimento, o que acende um alerta para uma possível expansão da inadimplência. “Isso naturalmente vai aumentar o risco para a inadimplência. Além disso, tem as dificuldades relacionadas à renda, à inflação, ao mercado de trabalho que não parece ter condições de absorver esse aumento na busca por emprego”, lembra Izis Janote Ferreira.

Por ora, a inadimplência permanece estável: 25,6% das famílias brasileiras estavam inadimplentes em agosto, mesmo resultado de julho. Embora o resultado signifique que um em cada quatro lares do País possua alguma conta ou dívida atrasada, o resultado está 1,1 ponto porcentual abaixo do registrado em agosto do ano passado, quando 26,7% das famílias estavam inadimplentes.

O total de famílias que afirmam não ter condições de pagar suas contas e dívidas já atrasadas e que, portanto, permanecerão inadimplentes no mês subsequente, desceu de 10,9% em julho para 10,7% em agosto.