São Paulo – A terça-feira foi negativa para o mercado financeiro local, assim como nas principais praças internacionais, com a Bolsa brasileira em queda de 1,44%, aos 125.094,88 pontos. No câmbio, o dólar fechou em alta de 2,39%, a R$ 5,2092, maior alta porcentual desde 24 de março e a maior cotação desde 31 de maio. No exterior, a divulgação da ata do banco central dos Estados Unidos preocupa, enquanto por aqui, pesou o risco político com o desenrolar da CPI da Covid.

O real mais uma vez liderou o ranking das perdas entre as divisas emergentes, fenômeno atribuído à deterioração do ambiente político doméstico. Na mínima, o dólar bateu em R$ 5,0765 e na máxima, em R$ 5,2127. No acumulado de julho, a valorização chega a 4,75%. A moeda para agosto subiu 2,07%, a R$ 5,2115.

Operadores e analistas atribuem o quadro político conturbado a uma combinação de fatores: avanço das investigações da CPI da Covid sobre propina em compra de vacinas, mal-estar com a proposta da reforma tributária e temores de uma “guinada populista” do Governo Jair Bolsonaro, sobretudo após a Petrobras anunciar aumento nos preços dos combustíveis em meio à ameaça de paralisação dos caminheiros, que programam greve geral para 25 de julho.

Há preocupações também com a deterioração do quadro fiscal, com a prorrogação do auxílio emergencial por mais três meses. Economistas têm dito que a “melhora fiscal” vista nos últimos meses decorre mais de surpresas positivas com a atividade do que do sucesso do Ministério da Economia em colocar a “casa em ordem”.