Diabetes: Aumento de casos em crianças serve de alerta aos pais

Atualmente, 4% de todas as crianças diagnosticadas com diabetes tipo 1 têm menos de dois anos.

Levantamentos feitos pela OMS (Organização Mundial da Saúde) apontam que, na década de 1990, uma em cada 15 mil crianças tinha a doença. Atualmente, a proporção é de uma para cada 8 mil. Outros dados também indicam que o número de meninos e meninas menores de cinco anos com diabetes pode dobrar no ano que vem em relação ao que era registrado em 2005. Atualmente, 4% de todas as crianças diagnosticadas com diabetes tipo 1 têm menos de dois anos.

O aumento na incidência do diabetes tipo 1 em geral se deve, principalmente, a fatores genéticos, mas também à introdução e ao contato cada vez mais cedo com os alimentos com alto teor de açúcar, com corantes e conservantes, além de hábitos de vida sedentários.

Ainda segundo a OMS, no Brasil, o consumo de alimentos ultraprocessados (com baixo valor nutricional e ricos em gorduras, sódio e açúcares) vem crescendo, assim como as taxas de sobrepeso e obesidade.

Uma em cada três crianças de 5 a 9 anos tem problemas com o excesso de peso. Entre os adolescentes, 17% estão com sobrepeso e 8,4% são obesos. Muitos adolescentes consomem regularmente alimentos processados: 42% bebem refrigerante e 46% consomem fast food pelo menos uma vez por semana. Essas taxas sobem para 62% e 49%, respectivamente, para adolescentes em países de renda alta.

Nesse tipo da doença, o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina, que é o hormônio que transforma o açúcar em energia. De acordo com a endocrinologista do Hospital Pequeno Príncipe, Rosângela Réa, a obesidade e a consequente resistência à ação da insulina favorecem a destruição das células produtoras de insulina pelo próprio sistema de imunidade do organismo. A especialista explica que o diabetes do tipo 1, o mais comum em crianças, ainda não tem cura e precisa ser tratado com a reposição de insulina.

A médica destaca que alguns avanços, como as “canetas” com agulhas ultrafinas, bombas que substituem as picadas de insulina e os sensores para controle da glicemia sem precisar furar o dedinho, têm possibilitado seguir com o tratamento mais facilmente e reduzir enormemente a ocorrência de complicações da doença. “Mas a maior parte dos pacientes ainda depende das múltiplas aplicações de insulina e picadinhas no dedo para a realização de testes de glicemia. O diabetes é uma doença que demanda uma grande participação dos pais e dos pacientes, pois apresenta inúmeros desafios, como a aderência a um estilo de vida saudável, com uma dieta balanceada, rica em legumes e verduras e com hábitos que incluam uma boa quantidade de atividades físicas”, reitera a endocrinologista.

Sintomas

Em lactentes ou em crianças que ainda usam fralda, o diagnóstico é especialmente difícil, inclusive porque o diabetes não costuma ser considerado nessa faixa de idade. A irritabilidade e o choro excessivo são sintomas comuns. Os bebês que se alimentam exclusivamente de leite materno querem mamar a toda hora para matar a sede, porém não ganham peso. A troca de fraldas se torna mais frequente, com fraldas mais pesadas e a ocorrência de assaduras que não se resolvem da maneira habitual também deve alertar para o diagnóstico.

Para identificar a doença em crianças mais velhas e adolescentes, é preciso estar atento a sintomas como perda de peso ou excesso de sede e de urina. Mas existem ainda outros sinais que merecem atenção dos pais e dos responsáveis. Ao perceber as ocorrências a seguir, é fundamental consultar um endocrinologista pediatra o quanto antes:

*Cansaço frequente, falta de energia para brincar, muito sono, preguiça;

*A criança pode comer bem, mas mesmo assim começar a emagrecer de forma repentina;

*A criança pode acordar para fazer xixi à noite ou voltar a fazer xixi na cama;

*Muita sede, mesmo nos dias mais frios, mas a boca permanece seca;

*Apresenta irritabilidade ou falta de disposição para realizar as atividades do dia a dia, além da diminuição do rendimento escolar;

*Muita fome;

*Formigamento ou câimbras nos membros;

*Dificuldade para cicatrizar feridas.

Para saber mais

O Hospital Pequeno Príncipe criou o Manual da Criança e do Adolescente com Diabetes, que faz parte do Projeto Saber + Participar Melhor. A iniciativa busca construir uma jornada do paciente rumo ao protagonismo no tratamento, à construção da sua autonomia e à qualidade de vida e pode ser acessado gratuitamente em pdf. Clique AQUI para ler o manual.

Doenças cardiovasculares são complicações do diabetes

Que o mau controle do diabetes pode favorecer algumas complicações não é novidade. Mas você sabia que a doença é um dos principais fatores de risco para infarto, acidente vascular cerebral (AVC), entupimento de artérias e dilatação de vasos sanguíneos? E é justamente por isso que novembro azul marca o mês como de conscientização sobre a doença que atinge mais de 14 milhões de brasileiros. O Brasil, hoje, é o quarto país no mundo com maior número de pessoas com diabetes e quase 7 milhões não sabem que têm a doença.

Dados da IDF (International Diabetes Federation) apontam que 80% dos pacientes com diabetes tipo 2 morrem em decorrência de problemas cardiovasculares. Os índices são superiores aos óbitos relacionados a HIV, tuberculose e câncer de mama. Os níveis desregulados de açúcar no sangue juntamente ao colesterol e à pressão arterial possibilitam a formação de placas de colesterol que entopem as artérias.

De acordo com Marcello Bertoluci, endocrinologista e coordenador do Departamento Cardiovascular da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), o aumento excessivo da glicose no sangue favorece a maior produção de coágulos que também podem obstruir as artérias: “Quando uma artéria sofre uma obstrução, o coração entra em sofrimento pela falta de oxigênio e o tecido sadio morre sendo substituído por cicatriz. Dependendo do tamanho da área afetada pode ser fatal ou deixar sequelas irreversíveis, como a insuficiência cardíaca”, ressalta.

A falta de sinais

Algumas complicações podem não manifestar sintomas claros. No caso do infarto agudo, os sinais clássicos como a dor forte no peito, irradiando para o braço, podem não ser muito evidentes. Alguns pacientes com diabetes podem apresentar falta de ar, sensação de mal-estar, náuseas e vômitos, desmaio inexplicado e até mesmo uma descompensação sem explicação do controle da glicemia.

“Isso acontece devido à neuropatia autonômica, uma disfunção que afeta o sistema nervoso simpático e para-simpático, fazendo com que os pacientes com diabetes sintam menos dor e mascarando o quadro clínico do infarto”, explica.

Outra complicação que merece atenção é o AVC. Os sinais comuns incluem a perda ou diminuição súbita da força ou dormência em apenas um lado do corpo. O surgimento de fala arrastada, confusão mental com troca de palavras ou até mesmo desvio na boca também indicam a necessidade de buscar ajuda médica.

A insuficiência vascular periférica é uma complicação que merece atenção. Quando as artérias que nutrem os membros inferiores são obstruídas, os pacientes com diabetes podem apresentar casos de gangrena e em alguns casos, é necessário que seja feita a amputação dos membros inferiores.

Mais homens

Ainda segundo Marcello Bertoluci, as complicações vasculares geralmente afetam mais os homens do que as mulheres, entretanto, quando se trata de diabetes essas diferenças desaparecem: “Homens e mulheres têm incidências semelhantes de infarto agudo do miocárdio e AVC, mas representam o dobro quando comparados a pessoas sem diabetes. É importante ressaltar que, quando acontece em mulheres, tende a ser mais grave, com maior número de mortalidade”.

Atenção ao coração não deve ser desafio

A prevenção de doenças cardiovasculares em pacientes com diabetes envolve uma rotina de alimentação saudável associada a prática de atividades físicas e controle dos fatores de risco, como hipertensão, glicemia, tabagismo, obesidade e colesterol, mas acima de tudo, é essencial consultar um cardiologista e realizar exames periódicos que podem indicar a necessidade de utilizar medicações preventivas.

Sobre a SBD

Filiada à International Diabetes Federation (IDF), a Sociedade Brasileira de Diabetes é uma associação civil sem fins lucrativos, fundada em dezembro de 1970, que trabalha para disseminar conhecimento técnico-científico sobre prevenção e tratamento adequado do diabetes, conscientizando a população a respeito da doença e melhorando a qualidade de vida dos pacientes. Também colabora com o Estado na formulação e execução de políticas públicas voltadas à atenção correta dos pacientes, visando a redução significativa da doença no Brasil. Conheça nosso trabalho: www.diabetes.org.br.

 

 



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