Reportagem: Cláudia Neis

Cascavel – Com o aumento expressivo de casos da covid-19 nas últimas semanas, em especial nos últimos dez dias no Paraná, segmentos do comércio e proprietários de bares, restaurantes e afins, temem que a situação saia do controle e seja necessária a adoção de medidas restritivas mais duras, o que lhes atingiria em cheio, a exemplo do que aconteceu no início da pandemia. Por isso, pedem que o poder público – Estado e municípios – intensifiquem as campanhas de alerta à população para que reforcem os cuidados contra a transmissão do coronavírus.

Os representantes de entidades de gastronomia e entretenimento, turismo e hospedagem de todo o Paraná definiram que uma campanha unificada de conscientização será realizada com a sociedade civil organizada e o poder público. “Precisamos conscientizar a população que uma das principais formas de ataque é assumir a sua responsabilidade, todos precisam assumi-la. Com higiene pessoal, com distanciamento e o respeito aos protocolos definidos. Cada cidadão precisa fazer a sua parte para evitar que os casos continuem crescendo. Precisamos falar a verdade e pedir que a população faça a sua parte”, afirma o presidente da Abrabar (Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas), Fábio Aguayo.

Fábio destaca que, neste momento, a sociedade civil organizada quer participar da discussão e da definição de políticas públicas de combate à pandemia: “Queremos participar, dar sugestões, reforçar a necessidade de que todos trabalhem em conjunto. No início, o poder público definiu tudo. Agora, queremos participar e o primeiro passo é conscientizar as pessoas da gravidade da situação e da necessidade das medidas de prevenção”.

O presidente da Abrabar aponta para a situação complicada que o setor vive e alerta que um novo fechamento seria o fim de muitos estabelecimentos. “Um novo lockdown seria inviável; 77% dos estabelecimentos estão endividados, com contas em atraso ou parceladas. Ninguém tem fôlego para um novo fechamento, nem mesmo o governo tem possibilidade de bancar novo auxílio”, enfatiza.

Clandestinidade

Aguayo ressalta que uma das prioridades é combater os estabelecimentos clandestinos, onde não há qualquer tipo de controle, prevenção ou fiscalização das medidas. “Pedimos a ampliação do horário de funcionamento dos estabelecimentos, para, assim, evitar os locais clandestinos, que é para onde as pessoas vão depois que os bares e os restaurantes fecham. Os locais sérios seguem todos os protocolos, há fiscalização e, mais do que isso, há possibilidade de fiscalização pelos próprios usuários, que podem denunciar. Já na clandestinidade não existe nada disso. Apenas o risco aos frequentadores”.

 

No oeste

Nos últimos dias, cresceu a circulação de falsas notícias de que o governo adotaria lockdown. Empresários do ramo de bares e restaurantes chegaram a receber avisos de reuniões já agendadas para definir o fechamento nas cidades de Cascavel e Foz do Iguaçu. As duas prefeituras negam movimentação nesse sentido.

Embora mentirosos, os boatos agravam a preocupação do setor, um dos mais atingidos com as medidas de contenção do novo coronavírus. E sabem que, se a situação sair do controle, serão os primeiros a serem atingidos com ações restritivas.

“Estamos receosos com o aumento de casos e a possibilidade de novo lockdown, mas buscamos a prefeitura, que nos tranquilizou, afirmando que não existem, no momento, discussões para novas medidas restritivas, nem pretendem passar por isso novamente. Mas reforçou que todos os estabelecimentos adotem as medidas de segurança”, afirma o presidente do sindicato em Cascavel, Otavio Rayzel de Carvalho.

Em Cascavel, nem mesmo as reuniões do COE (Centro de Operações de Emergência) têm ocorrido.

Em Foz do Iguaçu, prefeitura também negou qualquer tipo de medida nesse sentido, mas admite que a população vem relaxando no cumprimento das medidas sanitárias, e que muitas empresas não têm cumprido os protocolos definidos, em especial bares, restaurantes e lounges. Diante disso, o município se reuniu com representantes da Acifi (Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu) para alertar os empresários do setor, a fim de evitar a necessidades de novas medidas restritivas.

Foz é uma das cidades com maior crescimento de casos e mortes registrados nas últimas semanas.

Comércio também pede atenção

O presidente da ACP (Associação Comercial do Paraná), Camilo Turmina, diz que é preciso reforçar que a pandemia não acabou e que a prevenção é dever de todos: “É preciso alertar as pessoas que as medidas de prevenção devem continuar e que a responsabilidade é de um cada um de nós”.

Turmina observou que o comércio considerado não essencial vem seguindo as determinações das autoridades para o cumprimento das normas sanitárias, tanto nas orientações de distanciamento quanto de higienização e que é muito fácil constatar que não há aglomerações nesses locais. “As pessoas mudaram seus hábitos, não estão mais ‘passeando’ pelo comércio. Entram e compram com rapidez. Além disso, o comércio não essencial está longe de atingir o movimento pré-pandemia”, lembrou, destacando ainda a segurança nos shopping centers, onde é possível obedecer a um distanciamento rigoroso.

Para o dirigente, este é o momento de se chamar a atenção para a responsabilidade de cada um no controle da pandemia: “Não é hora ainda, por exemplo, de se fazer festas e grandes ajuntamentos familiares e de amigos. Bares e restaurantes estão obedecendo as regras de distanciamento, mas sofrem com a indisciplina de muitas pessoas, que se aglomeram de forma descuidada”.