Canoas – O Conectar (Consórcio Nacional de Vacinas das Cidades Brasileiras), do qual Cascavel e Toledo, dentre outros, fazem parte, pretende adquirir ainda neste mês de junho 15 milhões de doses de vacinas para imunização da população contra a covid-19. O anúncio foi feito pelo prefeito de Canoas (RS), Jairo Jorge, que preside o Conselho Fiscal do consócio.

Em abril, o Conectar negociava 30 milhões de doses da vacina russa Sputnik V, contudo, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deu um parecer contrário aos pedidos para importar o imunizante, alegando falhas técnicas apontadas nos estudos e na produção da vacina. Essa situação foi um verdadeiro balde de água fria para o consórcio. “As negociações estavam muito avançadas com o fundo soberano russo para a aquisição da Sputinik, mas, infelizmente, teve essa questão com a Anvisa”.

Diante da impossibilidade da importação do imunizante russo, o Conectar precisou se movimentar em direção a outras possibilidades. “Tivemos conversas diplomáticas envolvendo governos americano, cubano, russo, alemão e, especialmente, chinês. As negociações estão avançadas com a as farmacêuticas responsáveis pelas vacinas chinesas CanSino e Sinopharm. Já estamos tratando com os dois laboratórios para ter o mais breve possível essas vacinas. A expectativa é adquirir 15 milhões de doses da Sinopharm ainda no primeiro semestre de 2021.”

A vacina da Sinopharm necessita da aprovação da Anvisa, contudo, ela já foi liberada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e, de acordo com o prefeito, isso é um passo muito importante. “A Sinopharm já possui aprovação da OMS, é um fato muito importante. A liberação pela organização dá muita segurança, diferente da vacina russa. Ainda, o laboratório que produz a vacina já tem tratativas com a Anvisa, então acredito que isso é de fácil equação”.

Apesar das negociações avançadas, Jorge diz que não tem como precisar a data da entrega, mas crê que isso ocorra no início do segundo semestre. “Claro que queríamos receber essas vacinas já no primeiro semestre, mas no começo do segundo semestre já queremos contar com essas vacinas”.

 

Outra opção

Além da negociação com os laboratórios chineses, o Conectar também possui tratativas avançadas com o Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia (CIGB) para a aquisição de 4 milhões de unidades da vacina cubana Abdala. “Temos que buscar vacina onde tem, não podemos ter preconceito, seja China, Bélgica, Cuba, Estado Unidos, em primeiro lugar está a saúde e é isso o que norteia os prefeitos e as prefeitas do Brasil. Além disso, Cuba tem excelência na área de saúde e de pesquisa. Essa é outra vacina que vai exigir a discussão com a Anvisa, mas estamos fazendo o que o Brasil precisa: mais vacinas”.

Quanto à obrigatoriedade de doar as vacinas compradas ao governo federal, Jorge acredita que esse assunto já foi vencido e, que, quando chegarem, as vacinas não precisarão ser entregues ao PNI (Plano Nacional de Imunização). “Há um entendimento do governo federal de que não queremos competir e sim ajudar. Então foi conversado com o ministro da Saúde para antecipar o PNI em cada cidade. Também tivemos reuniões com os assessores e acredito que isso já foi superado.”

 

Medicamentos e EPIs

O Conectar também tenta adquirir insumos escassos como os medicamentos do kit intubação, equipamentos de proteção individual, seringas e agulhas. A compra será internacional e, mediada pelo embaixador chinês. “O Conectar está olhando todos os pontos, analisando todos os gargalos, estamos olhando para o futuro, trabalhando com a possibilidade da quarta onda. Sabemos que em todo o País há grande dificuldade para a aquisição desses insumos então estamos se adiantando. A compra já está sendo feita e deve ser finalizada ainda em junho.”