Uma comitiva com representantes do setor produtivo do Paraná vai hoje a Apucarana, norte do Estado, para se encontrar com a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, e reforçar o pedido para intervenção do Mapa nas instituições financeiras para a facilitação de prorrogação de dívidas dos produtores rurais.

O pedido, já oficializado esta semana, será reforçado diante dos prejuízos bilionários que o campo tem sofrido no Estado em decorrência da estiagem e das altas temperaturas na safra de verão 2018/2019.

Apenas no oeste do Paraná as perdas da soja já somam R$ 1 bilhão.

Ocorre que as perdas também estão sendo registradas em outros cantos do Estado, como no norte e no sudoeste.

Nesta quinta-feira (24) o Deral (Departamento de Economia Rural) deve publicar um novo boletim com dados atualizados da redução de produção e de produtividade em todo o Paraná.

Foi analisando todas essas situações que a Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) enviou na terça-feira (22) um ofício à ministra da Tereza Cristina, no qual o presidente da federação, Ágide Meneguette, solicita intervenção do Mapa nas instituições financeiras para viabilizar a prorrogação de dívidas dos produtores rurais. A possibilidade está prevista no MCR 2-69 (Manual do Crédito Rural).

De acordo com o Bacen (Banco Central do Brasil), somente produtores da região tomaram emprestado no ciclo passado mais de R$ 4 bilhões (financiamentos da agricultura, no período que vigorou de julho de 2017 a junho de 2018).

O atual ciclo de financiamento, que se encerra em junho, não possui dados parciais disponíveis para consulta.

Os números do Bacen revelam ainda que somente no oeste do Paraná os financiamentos para a agricultura somaram, nos últimos cinco anos, quase R$ 19 bilhões. “São financiamentos que não são pagos de um ano para o outro. Alguns deles são de médio e longo prazo, como aquisição de máquinas e implementos, que têm parcelas anuais, sempre pagas no fim de cada cultivo aos produtores de grãos”, explica o economista Marcelo Dias.

O documento ratifica as dificuldades enfrentadas pelos produtores paranaenses diante das perdas no campo e o presidente da Faep promete defender isso pessoalmente com a ministra: “Diante desse cenário de redução da produtividade e da produção, há um risco de incapacidade de pagamento dos créditos de custeio e investimento contratados”, alerta a Faep.

Para que os produtores do Estado não enfrentem complicações financeiras, o presidente da Faep pede auxílio do Ministério da Agricultura para orientar as instituições financeiras quanto às prorrogações. “Queremos evitar que os produtores fiquem inadimplentes e impedidos de operar no sistema de crédito, o que desencadearia danos aos demais cultivos da safra em curso”, explica Meneguette.

Perdas diversificadas

Devido à estiagem nas regiões produtoras do Paraná, a cultura da soja já registra perdas de até 40% em alguns municípios, de acordo com informações da Seab (Secretaria da Agricultura do Estado do Paraná).

As estimativas do serviço meteorológico Climatempo são de que as condições climáticas melhorarão apenas a partir da última semana de janeiro, mas em municípios que margeiam o Lago de Itaipu, na Costa Oeste, o diagnóstico de gestores públicos é que de a queda na produção tenha chegado a 70%. Nessa região, a colheita praticamente chegou ao fim, tendo em vista que precisou ser antecipada em pelo menos duas semanas devido às condições climáticas.

Até o momento, pouco mais da metade das lavouras de soja foram colhidas em toda a região oeste do Paraná, totalizando algo em torno de 600 mil hectares já colhidos, dos quase 1,1 milhão de hectares cultivados, de onde se esperava colher de 3,8 milhões a 3,9 milhões de toneladas. Em dezembro, a previsão já havia baixado para 3,5 milhões de toneladas e agora o setor produtivo considera produção de 3 milhões de toneladas.

Situação de emergência

Parte dos municípios lindeiros que tentaram o reconhecimento estadual do decreto de situação de emergência em decorrência da estiagem e das perdas no campo ainda não conseguiu avançar com os processos. Isso porque a situação vivida por eles não preenche todos os requisitos da Defesa Civil Estadual, como falta de água potável para abastecimento urbano.

Em Mercedes, por exemplo, onde as perdas da soja chegam a 60%, uma nova reunião feita ontem com a Defesa Civil regional serviu para alinhar dados que possam contribuir pelo menos para que os produtores acionem o seguro rural e o Proagro.

Conforme matéria do Jornal O Paraná veiculada no último dia 16, o acionamento de seguros rurais aumentou em 18 vezes nesta safra – de 70 pedidos na safra anterior, subiu para 1,3 mil no início deste ano. Esses números não envolvem o acionamento do Proagro.