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Coluna Amparar: “Por que não consigo engravidar?”

11 de junho de 2022 às 07:45
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José Luiz Ames

Rosana Marcelino

 

São relativamente abundantes os relatos de mulheres que não conseguem engravidar, apesar de não existir qualquer empecilho de natureza médica por parte do casal. Isso costuma ser motivo de sofrimento. Alguns casais com maiores recursos financeiros apelam para o tratamento médico, outros para a adoção. A cliente que veio a nós queria nosso auxílio através de uma constelação familiar antes de apelar para as alternativas convencionais.

Tratava-se de uma jovem senhora de cerca de 30 anos de idade, profissionalmente estável, com um casamento muito conectado e feliz e uma estrutura financeira confortável. Depois de seis anos de casada queria ter filhos e não conseguia engravidar. O que ela trouxe para nós junto com essa informação foi de que sentia uma profunda tristeza e se percebia como não merecedora de ter filhos e uma família completa.

A constelação de imediato mostrou que a cliente estava conectada a um morto, a uma morte. A nossa prática em constelação nos possibilitou perceber de que se tratava de uma morte próxima. Observamos também que a cliente ficou muito constrangida com esta informação.

Na conversação que se seguiu, relatou que, aos 16 anos, havia tido namoro rápido que resultou numa gravidez. Ela apelou para o auxílio de uma amiga mais velha, a qual a orientou e auxiliou no processo do aborto. Comentou conosco de que, naquela idade, fazer o aborto lhe parecia algo muito comum e natural e que não lhe trouxe nenhuma forma de dor, nem culpa naquele momento. Porém, conforme o tempo foi passando, foi percebendo as amigas com bebês e começou a entrar em um processo de profunda culpa pelo fato de ter tirado aquela vida.

Quando a cliente se casou, sentia muito medo de falar do aborto para o marido, apesar de terem uma relação muito feliz e conectada. Assim, depois de cerca de sete anos de tentativas frustradas para engravidar, resolveram buscar auxílio médico. Após uma bateria de exames, o médico lhes informou que, do ponto do vista médico, não havia nenhum impedimento para essa gravidez. O médico sugeriu que ela olhasse para aspectos psicológicos. Foi nesse contexto que ela buscou a terapia conosco.

Falar do aborto era um assunto muito difícil para ela. E só conseguiu falar sobre o assunto depois que os movimentos da constelação mostraram que havia uma morte no sistema dela.  Na constelação a cliente foi levada a reconhecer a responsabilidade dela no aborto e trabalhada a sua conexão com esse bebê.  A cliente foi levada a entender que já era mãe, porque tinha gerado uma vida em seu ventre, apesar de esse bebê não ter tido a chance de nascer.

Na Constelação ela se conectou com essa criança e foram feitos exercícios a fim de incluir essa criança no sistema familiar.  A cliente também foi orientada a contar ao seu marido e ao pai do bebê abortado sobre o ocorrido. Muito embora caiba à mulher decidir, porque é no corpo dela que a gravidez acontece, o pai tem o direito de saber e de se posicionar.

Qual foi o desfecho destes movimentos? Após cerca de 10 meses, a cliente engravidou espontaneamente sem auxílio médico e teve uma gravidez tranquila. Atualmente a criança tem cerca de três anos de idade. A cliente tem consciência de que essa criança é o segundo filho e não o primeiro. Neste meio tempo, a cliente foi trabalhando essa informação com a família e se liberando da culpa profunda que sentia e do sentimento de não merecimento em dar continuidade a uma família a partir do que do ato cometido quando tinha 16 anos.

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JOSÉ LUIZ AMES E ROSANA MARCELINO são terapeutas sistêmicos e conduzem a Amparar – Contato: whatsapp https://bit.ly/2FzW58R (45) 9 9971-8152

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