Casamento: união de dois sistemas

Como nos demais artigos, nossa referência é a visão sistêmica de Bert Hellinger e o objetivo é possibilitar o autodiagnóstico

Um dos motivos mais frequentes de discussão entre casais costuma ser a dificuldade dos cônjuges de lidar com seus sogros e com a família deles. Quem já não ouviu uma piada ou brincadeira, algumas vezes jocosa, acerca da sogra? Por vezes, porém, acontecem situações nas quais o que é contado como piada é a mais dura realidade. Como nos demais artigos, nossa referência é a visão sistêmica de Bert Hellinger e o objetivo é possibilitar o autodiagnóstico.

Na linguagem bíblica, se diz que, no casamento, se “deixa pai e mãe”. Na perspectiva sistêmica, isso significa constituir um núcleo novo. Ou seja, não continuar nem o núcleo da família do marido nem o da esposa. E as dificuldades para construir um novo sistema não são poucas.

Com efeito, cada um de nós nasce dentro de um sistema familiar que molda o nosso modo de ver o mundo. Somos movidos naturalmente a fazer seja o que for para assegurar nosso pertencimento à família dentro da qual nascemos. Os valores que dela recebemos são heranças que atravessam gerações. Reside nisso sua força sobre nosso comportamento.

O que é importante que o casal compreenda quando se decide por um vínculo permanente? Precisa ter presente que, com isso, o sistema de cada parceiro é trazido junto para a nova família. O novo núcleo familiar que o casal decidiu formar é a junção dos dois núcleos anteriores. A situação mais comum, porém, é cada membro do casal considerar o seu sistema como o melhor e, consequentemente, procura impô-lo como padrão. Ao agir assim, a pessoa obedece inconscientemente ao seu impulso de pertencimento sem saber que, com isso, coloca a relação em risco.

Desde a perspectiva sistêmica, quando o casal resolve casar, toma a decisão de “deixar para trás pai e mãe”, como diz o texto bíblico. É uma renúncia à tendência de assumir a família de origem como modelo para a nova família. O casal decide formar algo novo em base ao compartilhamento de dois sistemas independentes.

Para que a relação tenha êxito, é necessário que tanto o homem quanto a mulher “abandone” sua família de origem. Isso implica em que a “deixe” não apenas fisicamente no sentido de abandonar a casa dos pais, mas, sobretudo, deixe-a internamente. É preciso renunciar a alguns princípios e valores que, na família de origem, são importantes, mas que podem não fazer parte da família do cônjuge. Em compensação, estabelecem novos princípios e valores de comum acordo do casal.

É importante que o casal considere o casamento não apenas como a união com uma pessoa singular, mas a união com o sistema inteiro do cônjuge. Isso significa que, no novo sistema familiar, não apenas é preciso chegar a um acordo sobre as diferenças, mas também acolher e integrar o sistema do outro. Acolher e integrar significa honrar, respeitar, valorizar. Essa atitude implica em considerar os dois sistemas como iguais em seu valor. Implica em respeitar e amar a família do cônjuge como se fosse o próprio cônjuge.

Importante ter em mente que, quando um cônjuge rejeita seus sogros, isso chega ao outro cônjuge como rejeição dele mesmo.

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JOSÉ LUIZ AMES E ROSANA MARCELINO são terapeutas sistêmicos e conduzem a Amparar.

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