A segunda principal causa de mortes no mundo, entre jovens de 15 a 29 anos, é o suicídio, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, esse número vem aumentando nas últimas décadas e hoje representa a terceira causa de morte nessa faixa etária. Números ainda indicam que para cada suicídio consumado, há entre 10 e 20 tentativas. No mês de valorização da vida e conscientização do suicídio, a campanha Setembro Amarelo visa levar informações e acolhimento para a sociedade.

Fatores como a depressão e uso de drogas aparecem entre os principais motivos. Especificamente para os adolescentes, outros aspectos como momentos de crise financeira, de relacionamentos, de saúde e experiências associadas a abusos, violências, desastres e discriminação, podem influenciar nessa questão. É o que explica a médica psiquiatra Regiane Kunz Bereza.

“Entender o que leva a um suicídio é completamente complexo e exige entendermos como sociedade funciona. Para os jovens e adolescentes, esse é o período da vida que construímos nossa identidade e de qual forma nos vemos no mundo”, aponta Regiane.

A médica aponta, ainda, que nos espaços de socialização, como a família e a escola, os jovens se constroem como sujeitos e moldam sua identidade. “Nos grupos sociais, jovens e adolescentes podem experimentar relacionamentos de respeito e confiança mútuos, permitindo a troca de experiências, assim como momentos de superação de dificuldades.
Quando há quebra de relacionamentos e dificuldades intensas e não há um acolhimento e acompanhamento necessário, o jovem se vê exposto ou sem saída”, explica a psiquiatra.

A Campanha Setembro Amarelo acontece desde 2014 no Brasil. O Centro de Valorização da Vida (CVV) atua no apoio emocional e na prevenção do suicídio pelo telefone 188 e também por chat, e-mail e pessoalmente. Para Regiane, falar sobre o assunto é essencial, e mais do que isso, é importante entender o que leva os jovens a pensarem nisso. “É nosso dever tentar entender qual é a mensagem social que esses jovens passam quando cometem tais atos. Quais são os problemas e as fraturas sociais que envolvem o contexto para que eles fiquem tão desamparados”, questiona.