Um de cada quatro casos de covid-19 são da região oeste

Essa soma ainda não inclui quatro óbitos de Cascavel e um de Toledo

 

Toledo – O Paraná registrou nessa terça-feira (16) recorde diários de confirmações e de mortes causadas pela covid-19. Segundo a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), foram 841 novos diagnósticos positivos e 30 óbitos. Esses são os maiores números desde o início dos informes em 12 de março, há 97 dias. O último recorde havia sido no dia 11 de junho, com 627 novos registros, e, o de mortes, no dia 10, com 22 vítimas.

Com isso, o Paraná chega a 364 óbitos, mais oito pessoas que morreram aqui, mas não moravam no Estado. Contudo, essa soma ainda não inclui quatro óbitos de Cascavel e um de Toledo.

Segundo o boletim estadual, 308 cidades paranaenses (77%) têm ao menos um caso confirmado de covid-19 e em 111 municípios (27,8%) houve óbito pela doença.

 

Oeste tem 25%

O boletim da Sesa informa 10.557 pessoas infectadas no Paraná. Desse total, 2.738 são da região oeste, equivalente a 26% das confirmações do Estado. A região contabiliza ainda 45 óbitos em decorrência da doença, 22 deles de moradores de Cascavel.

O Município também é o que mais registra casos (1.356), atrás apenas de Curitiba. Toledo cresce rapidamente, e ontem já tinha 426 pessoas que testaram positivo. Ontem foram confirmados mais 65 casos, e incluídos outros 87, referentes a detentos da Cadeia Pública, onde 122 tiveram diagnóstico positivo para covid-19.

O médico Fernando Pedrotti, da Secretaria de Saúde do Município, afirmou que a doença vem circulando com intensidade e que o cenário é “muito preocupante”. “Destes 65 novos casos, temos pessoas de diversas áreas, que atuam no comércio, em lojas de confecção e móveis, outros que trabalham em escritórios… Com isso, podemos ver que o vírus está circulando em todos os setores. Nós sabíamos que o cenário ia piorar muito, mas não achávamos que seria tão rápido. Para se ter uma ideia, no dia 7 tínhamos 108 casos em Toledo, uma semana depois já eram 258, um crescimento de 139%. É momento de ficar em alerta e seguir todas as recomendações para se proteger”, ressaltou.

 

Ocupação de leitos

Pedrotti alerta para o agravamento rápido dos pacientes e a necessidade de leitos de UTI para a maioria deles. Ontem, a taxa de ocupação de leitos de UTI em Toledo era de 83,3%, e de enfermaria, 37,5%.

Em Cascavel, a taxa era de 95%, restando apenas um leito vago no HU (Hospital Universitário), e 85% de enfermaria.

A Secretaria de Saúde de Cascavel anunciou que nesta quinta-feira (18) o Hospital de Retaguarda (antigo Hospital Santa Catarina) fica exclusivo para covid-19, com 14 leitos de UTI, 28 de enfermaria e ambulatório para consultas de pacientes com sintomas respiratórios. Os atendimentos de outras patologias estão suspensos nesse local.

Já o Hospital de Campanha Ney Senter Martins, no Centro de Eventos, iniciará os atendimentos na próxima segunda (22) como Centro de Triagem e suporte ao enfrentamento da covid-19, com seis consultórios médicos e enfermarias de observação. Os leitos de UTI não serão ativados nesse momento.

Além disso, o Estado autorizou a 10ª Regional de Saúde a buscar parcerias com hospitais privados para contratar leitos de UTI. Porém, ontem 80% de todos os leitos já estavam ocupados.

Nessa terça, 1.253 pessoas estavam internadas com suspeita ou confirmação da doença em todo o Estado, dos quais 368 pacientes com diagnóstico confirmado (152 em UTI).

Em todo o Paraná, a taxa de ocupação de UTI era de 58% e, de enfermarias, de 35%.

96% do oeste já confirmou casos

 Apenas dois dos 50 municípios que formam a região oeste do Paraná ainda não confirmaram casos de covid-19: Entre Rios do Oeste e Nova Santa Rosa.

Em Entre Rios, a estratégia de controle adotada pela Secretaria de Saúde é a orientação da população aliada à fiscalização. “Nós temos feito um trabalho bem específico e abrangente de orientação da população, especialmente utilizando as mídias sociais. Orientamos a evitar sair do Município e evitar receber pessoas de fora para que não haja contaminação. Além disso, estamos em um trabalho rigoroso de fiscalização. Temos casos suspeitos e precisamos garantir que essas pessoas respeitem o isolamento”, explica a secretária Sharlise Mengarda.

O Município de cerca de 4.500 habitantes tinha ontem (16) cinco casos suspeitos e está preparado para atender casos moderados da doença. “Nós temos intensificado o trabalho de fiscalização desses casos suspeitos e também de pessoas que tenham sintomas da doença, mas nem sempre relatam. Nossas equipes estão treinadas para fazer essa verificação. Além disso, trocamos informações o tempo todo com a equipe do hospital e há alguns dias conseguimos verificar que uma mulher com suspeita e que aguardava o resultado do exame levou o filho para uma consulta na unidade. Ela foi advertida. Esperamos que não haja confirmações, mas, se tivermos, a estrutura do hospital foi adaptada e uma ala com cinco leitos, quatro adulto e um infantil, está pronta para atender pacientes que precisem, por exemplo, de oxigênio ou soro. Casos mais graves serão regulados para hospitais da Macro-Oeste”, afirmou a secretária.

Já em Nova Santa Rosa, que tem pouco mais de 8 mil habitantes e quatro casos suspeitos aguardando exames, a secretária de Saúde, Ligia Patrícia Rambo, ressalta que o trabalho realizado pela administração e a colaboração da população têm contribuído para o cenário atual. “Foi criado o comitê de organização emergencial, onde várias pessoas de setores diferentes discutem em conjunto ações a serem desenvolvidas. Seguimos as normativas inicialmente mais rígidas e depois fomos flexibilizando para comércio e igrejas, porém sempre com a exigência de distanciamento social, normas de higienização e uso de máscaras. A orientação e a fiscalização realizadas pelas nossas equipes também auxiliaram para que a situação ficasse controlada”, frisou a secretária.

 


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