Reportagem: Mateus Barbieri

Cascavel – A disparada dos preços da gasolina nos últimos meses causou a troca da presidência da Petrobras e causa problemas no dia a dia do consumidor comum. O combustível subiu mais de 51% apenas neste ano e muitas bombas da região já se aproximam de R$ 6 o litro.

Além de pesar no bolso do motorista, a escalada de preços dos combustíveis também é uma das principais responsáveis pelo aumento da inflação, pois afeta o preço de alimentos e serviços.

Contudo, o alto valor da gasolina não é uma preocupação apenas para o motorista. A disparada dos preços preocupa os donos dos postos, que percebem a cada aumento a clientela diminuir ainda mais.

De acordo com o diretor regional do Sindicombustíveis, Roberto Pellizzetti, os donos de postos de combustíveis também são muito prejudicados. “Hoje, os postos têm uma venda menor. Caiu o volume, pois a gasolina é um insumo que compromete o orçamento das famílias, por isso, muitas vezes, quando o aumento é de dois ou três centavos, a gente acaba não repassando ou demora mais para repassar justamente para segurar a venda. Nós realmente somos tão vítimas quanto o consumidor”.

Pellizzetti explica que os postos já trabalham com uma das menores margens de lucro do mercado, contudo, as pessoas relacionam o aumento do combustível diretamente com os donos de postos, sem levar em consideração o valor de transporte ou até mesmo outros aumentos que impactam diretamente. “Nós somos o último elo dessa cadeia. Quando a Petrobras anuncia o aumento, a gente não pode comprar mais no preço antigo, o combustível é um mercado muito ágil. O dono de uma loja de camisas, de calçados, trabalha com margens de 100%, até 150%; no açougue, a margem da carne é de 30% a 35%; no posto de combustíveis, margem de lucro é em torno de 7%, até menos. Além disso, você vende a prazo, cerca de 70% no cartão de crédito, e compra à vista. A margem de lucro não é nada abusiva”.

Segundo ele, devido a esses aumentos de preço, a venda de combustíveis caiu cerca de 20% em relação ao período anterior à pandemia. “Houve uma queda extraordinária nas vendas. Hoje, as vendas são cerca de 20% a menos que antes da pandemia. No início da pandemia, o preço caiu, então deu para trabalhar, mas agora aumentou novamente.”

Com a gasolina variando de R$ 5,59 a R$ 6 o litro em Cascavel e região, a esperança geral é de que novos aumentos demorem para chegar.

Thiago Munarin é gerente comercial de uma rede de postos de combustíveis em Cascavel. Segundo ele, um dos principais motivos que fizeram o preço disparar foi o açúcar. Isso porque a cana-de-açúcar também é a matéria-prima do etanol, mas o preço do açúcar disparou nas bolsas internacionais, e alta do dólar também influenciou na rentabilidade para quem vende o produto em reais, e o resultado disso tudo é que boa parte da produção de cana que estava indo para o etanol foi convertida para o açúcar.

Com menos etanol sendo produzido, o preço do combustível também subiu. De acordo com os dados do Cepea, a produção de etanol caiu 8,5% nesta safra no Brasil, enquanto a do açúcar cresceu 44%.

“A exportação do açúcar reflete no etanol. Quando compensa exportar açúcar, o etanol diminui nas usinas e aumenta o valor. Nesses últimos quatro meses, está compensando exportar o açúcar, então vem o aumento”, avalia Munarin.

Como o etanol compõe 27% da gasolina, o aumento é significativo.

Além disso, no último reajuste anunciado, a Petrobras também realizou o repasse sobre o valor do petróleo e anidro, outros componentes da gasolina, o que promoveu um percentual de elevação ainda maior do que os que já estavam sendo praticados em relação ao preço da gasolina.