O mês destinado à valorização da vida e à prevenção do suicídio será marcado por uma série de ações em Foz do Iguaçu, que incluem a capacitação das equipes pedagógicas e a realização de 64 rodas de conversa em 27 colégios estaduais, devendo envolver cerca de 2 mil alunos. O primeiro encontro será no dia 9 (quinta-feira), às 8h, no Colégio Almiro Sartori, no Portal da Foz.

As atividades seguirão até o dia 30. O Setembro Amarelo é desenvolvido em parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), o Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas (COMUD), o Núcleo Regional de Educação (NRE), o Centro de Valorização da Vida (CVV) e demais apoiadores da Câmara Técnica da Rede de Atenção Psicossocial.

O intuito das rodas de conversa é sensibilizar os adolescentes sobre os sinais de alerta e sintomas de risco para o suicídio, transmitir informações sobre a prevenção e as formas de acessar a Rede de Atenção Psicossocial.

“A idéia é levar o tema de uma forma bem acessível ao jovem, na linguagem deles, podendo abordar esse assunto com muito cuidado, franqueza e esclarecimentos. É sempre importante falar sobre isso, ouvir e acolher para poder prevenir”, explica a diretora de saúde mental, Simone Topke.

De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, praticamente todas as pessoas que cometeram suicídio apresentavam pelo menos um transtorno psiquiátrico. Pessoas com depressão, transtorno bipolar, transtornos relacionado ao uso de drogas, esquizofrenia e transtorno de personalidade fazem parte do grupo de risco. “Dessa forma, a identificação e o tratamento dos transtornos mentais estão entre os principais fatores de proteção na prevenção do suicídio”, afirma a secretária de saúde, Rosa Maria Jerônymo.

Público-Alvo

A escolha pelos adolescentes como público alvo da campanha deste ano leva em consideração os dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), que apontam o suicídio como a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo, atrás apenas de acidentes de trânsito.

Além disso, em Foz do Iguaçu, o Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi) registrou um aumento, a partir de 2017, no acolhimento de adolescentes com episódios depressivos, de auto-mutilação e risco para o suicídio.

“Dos 760 pacientes ativos no serviço em 2017, 37 deles estavam em tratamento por risco para suicídio, surgindo nesse momento a necessidade de entender de forma mais clara a relação de risco para o suicídio de crianças e adolescentes no município”, explica o coordenador do CAPSi, Antonio Batista Junior.

Nessa perspectiva, em 2018 tiveram início as rodas de conversa nos colégios. Neste mesmo ano, o CAPSi realizou uma pesquisa com 46 alunos de um colégio estadual, com intuito de reconhecer sinais e sintomas de risco para o suicídio. “Apesar de o grupo amostral ser pequeno, o resultado da compilação dos dados trouxe uma realidade mais preocupante ainda, 19,5% dos adolescentes que participaram, declararam ter pensamentos suicidas”, lembrou o coordenador.

Com essas informações, criou-se em 2019 uma força tarefa intersetorial com autores e colaboradores de diversas instituições com intuito de ampliar o debate sobre a prevenção ao suicídio. “Realizamos nesta época 32 rodas de conversa para mais de mil adolescentes. Infelizmente, com a eclosão da pandemia da Covid-19 e a suspensão das aulas presencias, algumas ações foram realizadas somente no formato on-line. Contudo, agora em 2021, toda a rede e seus parceiros retomam as ações destinadas à valorização da vida”, reforçou Antonio.

As ações também terão o apoio do Conselho Regional de Psicologia (CRP), Uniamérica, UDC, Unioeste, Polícia Militar, Guarda Municipal, Secretaria de Assistência Social, Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família e Unidade de Acolhimento Infantil (UAI).

Campanha

São registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos no Brasil e mais de 1 milhão no mundo. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio stavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias.

O Setembro Amarelo começou nos EUA, quando o jovem Mike Emme, de 17 anos, cometeu suicídio, em 1994. Mike era um rapaz muito habilidoso e restaurou um automóvel Mustang 68, pintando-o de amarelo. Em consequência dessa triste história, foi escolhido como símbolo da luta contra o suicídio, o laço amarelo. O dia 10 de setembro passa então a ser o dia mundial de prevenção ao suicídio.

No Brasil a campanha teve início em 2015 através de uma parceria entre a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Centro de Valorização da Vida (CVV).