Por Paulo Alexandre

Texto da matéria ao lado trata das novas doses da vacina contra a Covid-19 enviadas pelo Ministério da Saúde ao Paraná e, de forma exemplar, distribuídas com agilidade pela Secretaria de Estado da Saúde. A vacinação avança, mas também os novos casos confirmados e óbitos têm seu crescimento registrado todos os dias. Evidentemente, a imunização da população tem contribuído significativamente para conter a pandemia, mas, como bem se sabe, a “guerra não acabou” e muitas batalhas continuam sendo perdidas.

Importante buscar informação e refletir que a Covid-19, com toda sua complexidade, também tem revelado que a saúde do brasileiro encontra-se em ‘déficit’. Inicialmente, a constatação foi de que o SUS não tinha estrutura suficiente para o atendimento e de forma que pode ser considerada veloz, embora com muitas dificuldades, falhas e, infelizmente, fraudes que atrapalharam o processo, criaram-se leitos de enfermaria e de terapias intensivas – UTI – para garantir o atendimento que, em muitos casos, significou a diferença entre a vida e a morte. Até ontem, os números oficiais eram de 21,5 milhões de casos, as vidas perdidas chegando à casa dos 600 mil.

Mas, neste contexto, há também outros agravantes. Pesquisa do Incor (Instituto do Coração) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) mostrou alta taxa de mortalidade hospitalar (42%) em pacientes com covid-19 que desenvolveram problemas cardíacos em decorrência dessa doença. O estudo, publicado no jornal científico online IJC Heart & Vasculature, revelou também que 71% desses pacientes necessitaram de terapia intensiva durante a internação e 54,2% apresentaram lesões no músculo cardíaco.

A pesquisa identificou ainda, como fatores de agravamento do quadro clínico e morte, a insuficiência cardíaca prévia, presente em 12,6% dos participantes da pesquisa, alterações no ecocardiograma (6%), síndromes coronárias agudas (5,7%) e arritmias (4,5%). O estudo foi conduzido pelo presidente do Conselho Diretor do Incor, Roberto Kalil Filho, e pela pesquisadora Patrícia Guimarães. Intitulada CoronaHeart, a pesquisa foi feita com base na avaliação de 2.546 pessoas com idade média de 64 anos, internadas em 21 unidades hospitalares, de junho a outubro de 2020.

A leitura destes números serve como alerta para que, além dos cuidados sanitários específicos contra a Covid-19, cidadão consciente deve buscar – na medida do possível, hábitos saudáveis que lhe garantam condições mínimas para, caso necessário, entre nessa batalha com condições de vence-la!