Municípios decretam emergência, mas não conseguem reconhecimento estadual

Mercedes – As chuvas irregulares dos últimos 40 dias que têm castigado as lavouras de toda a região já fizeram com que parte dos municípios, sobretudo os lindeiros ao Lago de Itaipu e os perto deles, adiantassem processo legal para decretar situação de emergência. As Prefeituras de Quatro Pontes e Mercedes já fizeram o decreto, e Pato Bragado estuda a medida.

JK

Segundo a prefeita de Mercedes e presidente do Conselho de Desenvolvimento dos Municípios Lindeiros ao Lago de Itaipu, Cleci Loffi, a falta de água preocupa o campo e a cidade. “Entre todos os municípios lindeiros ao Lago as perdas com o cultivo da soja variam de 60% a 70%. Isso é um impacto extremamente preocupante e negativo porque são municípios que dependem da agricultura para sobreviver”, lamenta.

Segundo levantamento feito pelo Jornal O Paraná, esses municípios têm cerca de 300 mil hectares cultivados com a oleaginosa. A expectativa inicial era de colher 3,55 mil quilos por hectare, agora, a previsão é de que a produtividade não passe de 1,1 mil quilos por hectare, o que vai reduzir a produção de 850 mil toneladas para algo em torno de 260 mil toneladas.

“Muitos municípios optaram por colher e depois fazer o levantamento das perdas para analisar se inicia o processo para decretar situação de emergência. De modo geral, os lindeiros anteciparam em 25 dias a colheita da soja”, completa Cleci.

Em condições normais, a colheita só se iniciaria nesta semana e seria intensificada a partir da segunda quinzena de janeiro.

Outra preocupação desses municípios é com a dificuldade para obter o reconhecimento dos decretos municipais pela Defesa Civil Estadual. Isso porque um dos itens avaliados é a redução de oferta de água para a cidade e até redução expressiva dos mananciais, o que na prática não é observado porque, embora as chuvas tenham sido irregulares, elas estão ocorrendo “e essa redução no volume de água não é sentida ainda. Isso implica, neste momento, no reconhecimento desses decretos municipais, mas a situação é extremamente preocupante”, acrescenta Cleci.

 

Sete em cada dez produtores acionou o Proagro

O secretário de Administração e vice-prefeito de Quatro Pontes, Tiago Hansel, revela que 70% dos produtores rurais já acionaram o Proagro. “Somos um município onde tudo gira em torno da agricultura, então, se o setor vai mal, ocorre um efeito cascata, e tudo vai mal. É muito preocupante”.

Segundo Tiago, as informações obtidas com representantes de setores ligados ao crédito rural – que aguardam a confirmação oficial – é de que as perdas são de 70% no campo. “De uma semana cá até tem chovido todos os dias, mas são chuvas muito localizadas e não servem para reparar o que já se perdeu (…) Os produtores já estão colhendo há duas semanas”.

Em Pato Bragado, técnicos estão a campo para avaliar as perdas e decidir se irão iniciar o processo para decretar situação de emergência.

Segundo o engenheiro civil Guilherme Rosinski, coordenador da Defesa Civil do Município, esses números serão cruciais para definir se o Município fará o pedido. Segundo ele, entre os levantamentos apurados está o volume de chuva de dezembro, que ficou em um terço do registro histórico e considerado ideal para o período. “Os produtores estão colhendo e o que se tem dito é que os números variam muito de região para região do Município. Fala-se que na região mais próxima ao Lago de Itaipu se tem colhido menos do que na região mais distante”.

 

 

A menor vazão em 20 anos

Outro ponto que tem chamado a atenção na região é a vazão do Lago de Itaipu. Na praia no Distrito de Porto Mendes, em Marechal Cândido Rondon, o volume é um dos menores dos últimos 20 anos.

Segundo o secretário municipal de Indústria e Comércio, Sergio Marcucci, isso tem influenciado para os banhos e para quem vai para o rio de barco, o que tem exigido uma verdadeira engenharia para entrar e sair do rio.

Contudo, Marcucci garante que o movimento na prainha não caiu graças às melhorias na infraestrutura feitas pela prefeitura e às atrações colocadas à disposição, que até atraíram mais turistas do que se esperava. Mesmo assim, a condição de baixo nível do lago preocupa. “Isso acaba interferindo. Tanto é que, se a margem continuar baixa como está, vamos iniciar obras de infraestrutura que precisam dessa condição do rio para serem feitas”, acrescenta.

 

Perdas podem passar de 800 mil toneladas

As perdas provocadas pela estiagem no campo, apesar de serem maiores nos municípios lindeiros, já são percebidas em todos os cantos do oeste do Paraná. Levantamentos feitos por cooperativas, unidades de produção e recebimento de grãos e de técnicos ligados à agricultura dão conta de que as perdas na região somam 15%, podendo beirar os 20% nesta semana.

Técnicos do Deral (Departamento de Economia Rural) dos Núcleos Regionais de Toledo e de Cascavel, que abrangem 48 municípios, estão a campo para levantar dados sobre as perdas.

A quebra de 20% significa cerca de 800 mil toneladas a menos do que o volume projetado no início do cultivo, perto de 3,1 milhões de toneladas.

Para o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, além desses aspectos, há outra condição para se preocupar: como o tempo irá se comportar nos próximos dias e semanas. “Ouvimos falar que as perdas estariam variando de 5% a 15%, mas e como será daqui para frente?”.

A previsão indica que o clima vai se comportar da mesma maneira como vem se comportando nos últimos dias: chuvas ocasionais e irregulares em toda a região e muito calor.

 

 

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