Cascavel – Disposto a levar para o segundo turno a disputa ao governo do Estado, o candidato do MDB, João Arruda, tem protagonizado um embate violento com o adversário Ratinho Júnior (PSD). Os dois já travaram várias batalhas na Justiça, que vão desde denúncia de fake news, perfis falsos até boicote na divulgação de programas eleitorais.

Arruda esteve em Cascavel nessa segunda-feira e classificou de “jogo sorrateiro” feito por Ratinho: “Sou o candidato que mais cresce em todas as pesquisas, inclusive as compradas pelo meu adversário. O medo tomou conta da campanha de Ratinho Júnior, que me agride de maneira baixa e sorrateira. Se divulgasse as operações policiais do outro candidato, usaria todo meu tempo político”.

Crítica pontual de Arruda, a continuidade no governo por aliados de Beto Richa (PSDB) precisa ser interrompida. “Aquele que os paranaenses consideravam uma salvação se tornou uma decepção. Esse pessoal que se apresenta como renovação fazia parte do velho governo. O Ratinho era secretário de Desenvolvimento Urbano de Richa”, alfineta.

Mas esse não foi o tema central da sua conversa ontem, com empresários, em Cascavel. Arruda elegeu a infraestrutura como estratégia governamental para combater os índices negativos da economia. Primeiro ponto para ele é tornar o Porto de Paranaguá uma referência internacional em eficiência. “Precisamos de dinamismo no transporte de cargas até o porto, com oito novos berços – estacionamentos -, aumentando o fluxo de cargas e um terminal só para cabotagem. Precisamos melhorar a relação de portes no país, pois precisamos esse investimento para transportar e exportar entre outros portos”.

Outra defesa argumentada por João Arruda está no investimento em aeroportos, o que, segundo ele, tem feito enquanto coordenador da bancada do Paraná no Congresso Nacional: “Defendo o Plano Nacional de Aeroportos e a interiorização dos aeroportos: é uma bandeira minha. O Osmar Dias ajudou muito a construir esse trabalho e planejamento para encaminhar essas demandas regionais, com 15 aeroportos do Paraná, um deles em Cascavel”.

Para complementar essas ações na infraestrutura, o candidato ao governo promete investimentos em rodovias, inclusive duplicações da BR-277, e ferrovias – uma linha do Mato Grosso do Sul passando pelo oeste do Paraná com destino a Paranaguá.

Demandas

Os empresários do oeste do Estado apresentaram demandas da região: aceleração para liberar licenças ambientais e o fim de um decreto estadual que cobra 4% de ICMS adiantados de quem importa produtos de outros estados. “Essa é uma política do Mauro Ricardo, que era secretário da Fazenda de Beto Richa, colega de trabalho de Ratinho Júnior. Vou pôr fim a esse Decreto 442/2015, que é inconstitucional. Existe uma Adin [Ação Direta de Inconstitucionalidade] proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil que é analisada pelo ministro Luiz Roberto Barroso, do STF, que tem parecer favorável. Se isso não for resolvido até o fim do ano, vou resolver, assim como substituição tributária. Santa Catarina já fez. Os empresários não querem investir no Paraná, estão indo a Santa Catarina para produzir”.

Kátia Abreu

Na comitiva também esteve a vice à Presidência pela chapa de Ciro Gomes (PDT), Kátia Abreu (MDB) – senadora, ex-ministra de Agricultura na gestão de Dilma Rousseff. Ela classifica que o grupo está entre dois extremos: Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). “Disputas menores: partidárias e ideológicas não trarão o desenvolvimento necessário, que os mais pobres querem”.

Sobre a atuação no agronegócio, Kátia rebate todas as acusações: “Nunca ergui uma palha contra o setor. Já ganhei todos os apelidos terríveis: rainha da motoserra, rainha do desmatamento, inimiga dos índios. Nunca me importei com isso, tive consciência tranquila. Fui convidada a escrever o plano de governo de agronegócio do Ciro, pois conhece meu trabalho”.