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POLÍTICA

Falta de informações sobre os recursos da Saúde pode “trancar” repasse do FPM

07 de fevereiro de 2024 às 07:37
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Brasília – Quase cinco mil cidades ainda não transmitiram dados sobre as ASPS (Ações e Serviços Públicos de Saúde) e correm o risco de suspensão do FPM (Fundo de Participação dos Municípios). O prazo para enviar informações sobre receitas e despesas com a saúde, que terminaria no início de fevereiro, foi prorrogado até o dia 2 de março. Até o último dia 2, de acordo com levantamento da CNM (Confederação Nacional de Municípios), 4.971 cidades foram notificadas pelo Ministério da Saúde. A transmissão dos dados deve ser feita pelo Siops (Sistema de Informação sobre Orçamentos Públicos em Saúde).

Caso as cidades não enviem os dados dentro do prazo, ficam sujeitas à suspensão das transferências constitucionais e voluntárias. De acordo com o consultor de orçamento César Lima, o município pode ter as transferências do FPM totalmente suspensas até a regularização da situação — e os gestores que não comprovarem ainda podem estar sujeitos ao crime de responsabilidade.

“Os gestores devem, através do Sistema de Informação sobre Orçamentos Públicos em Saúde (Siops), encaminhar os dados do último bimestre, do fechamento do ano passado, desses gastos, comprovando o mínimo constitucional aplicado em serviços públicos de saúde conforme determina a Lei Complementar 141/2012”, explica, lembrando que o não cumprimento do percentual mínimo poderá condicionar essas transferências, de acordo com o Decreto 7.827/2012.

Os dados — sobre receitas totais e despesas públicas em saúde — preenchidos no Siops possibilitam monitorar o cumprimento da aplicação mínima de recursos em ASPS nos estados, municípios, Distrito Federal e União. O envio é obrigatório e deve ser feito bimestralmente.

O professor de Finanças Públicas da UNB (Universidade de Brasília), Roberto Piscitelli, fala sobre a importância dessa prestação de contas. “Há muitos municípios que não estão informando esses valores, não estão prestando essas informações que são muito importantes do ponto de vista da gestão pública para saber onde estão sendo aplicados esses recursos e se estão sendo empregados nas finalidades para as quais foram destinados. E a saúde realmente é muito delicada, urgente e uma preocupação muito razoável por parte do governo federal”, analisa.

Repasses do FPM

O repasse do primeiro decêndio de fevereiro do FPM está previsto para ser realizado na sexta-feira (9).  Os valores são repassados todos os meses, a cada 10 dias, e calculados pelo TCU (Tribunal de Contas da União), de acordo com o número de habitantes de cada cidade e a renda per capita.

O último pagamento do FPM foi feito no dia 30, referente ao 3º decêndio de janeiro. O valor total pago às cidades brasileiras foi de pouco mais de R$ 5,5 bilhões.

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