Palotina – A abertura e a conquista de novos mercados, os investimentos na transformação e agregação de valor aos produtos e serviços fizeram com que a região oeste se tornasse uma espécie de referência à balança comercial do Paraná com a consagração da agroindústria, muito disso fomentado pelo setor cooperativo. Essa é uma avaliação do economista Marcelo Dias diante do mais recente balanço que representa o processo de compra e venda no cenário internacional.

Os dados recém-divulgados pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços) revelam que a região nunca exportou tanto como neste ano, apesar da crise e da greve dos caminhoneiros que parou o País por 11 dias em maio e que ainda traz reflexos ao escoamento da produção.

Na última década – de 2008 a 2018 – as exportações regionais cresceram 68% se considerados os dados acumulados de janeiro a outubro em cada um desses períodos. “Nem a crise tem nos feito vender menos, nem a greve nos fez perder espaço e mercado e o que se pode observar é que, ano após anos, temos comercializado mais, aliás, com as adversidades é que as oportunidades precisam ser mais bem aproveitadas”, afirmou.

“Com menos poder de compra no mercado nacional em decorrência da crise que se arrasta por três anos, a principal alternativa foi colocar os produtos no mercado externo e isso tem sido muito bem feito e garantido ótimos resultados para o oeste do Paraná”, completa o economista.

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Considerando as sete principais economias exportadoras do oeste – Cascavel, Palotina, Cafelândia, Foz do Iguaçu, Medianeira, Marechal C. Rondon e Toledo – de janeiro a outubro de 2008 haviam sido comercializados a outros países o equivalente a US$ 848,3 milhões. De lá para cá o crescimento foi gradativo sem recuos.

Para este ano, o especialista em mercado internacional Neoroci Frizzo aposta que o oeste tem tudo para fechar com novo recorde nas transações, a exemplo do que já havia sido registrado ano passado.

Em dez meses deste ano, as principais economias do oeste – que respondem por mais de 95% das transações internacionais da região – já venderam US$ 1,422 bilhão em produtos, volume maior que o contabilizado durante todo o ano passado. “Certamente já estamos e vamos fechar com o melhor desempenho da série histórica. Temos importantes mercados. Em 2008 os Estados Unidos saíram um pouco de cena com a crise vivida por lá e desde então tem crescido muito as exportações para a China, que é um excelente comprador, e essas relações precisam ser mantidas e ampliadas”, reforça Frizzo.

Importações são as menores desde 2012

Por outro lado, o dólar nas alturas, chegando aos R$ 4,20 pouco antes das eleições, fez com que as importações recuassem. Para se ter ideia, as compras feitas pela região neste ano têm o menor volume financeiro desde 2012. As importações somam US$ 394,5 milhões neste ano, 18% a menos que o observado em 2008, quando as aquisições externas registravam US$ 333,9 milhões. “Com o dólar em alta, é muito mais vantajoso para a gente vender, não para comprar e foi exatamente isso o que ocorreu. O Brasil passou a comprar menos e a vender mais”, considerou Neoroci Frizzo.

O resultado disso é o saldo mais elevado da balança comercial regional de toda a série histórica observada pelo Mdic desde a década de 1990.

A região registra superávit de mais de US$ 1 bilhão, que, considerando a cotação do dólar nesta semana, representam R$ 3,75 bilhões.

Para o analista de mercado Fábio Meneghin, o desafio das relações internacionais para a balança comercial brasileira nesta reta final de ano e para 2019 é ganhar e ampliar mercados, principalmente para os produtos com valor agregado, como a carne. “Chega um ponto que vender a soja não se torna mais viável do ponto de vista de volume de transporte, como embarcar 100 milhões de toneladas. É mais interessante vender um décimo disso com valor agregado, a soja transformada na carne que vale muito mais (…) além disso, temos mais mercados para conquistar, principalmente com a pulverização na venda de milho. Esses são aspectos que aparecem como desafiadores no cenário econômico às relações internacionais”, considerou.

Não desprezar mercados

Os especialistas são unânimes em afirmar que manter mercados, como o chinês e o árabe é fundamental para a economia, não só da região, mas brasileira.

No cenário nacional, os chineses representam quase um terço das exportações brasileiras, lideradas pelos grãos. Na região, de janeiro a outubro, a China comprou cerca de 22% de tudo o que foi vendido para fora, segundo o Mdic.

O mundo árabe, que compra principalmente carne de frango e milho, respondeu de janeiro a outubro de 2018 por quase 17% das transações comerciais regionais. Ou seja, juntos, esses mercados respondem por 39% de tudo o que a região vende e agora aparecem com relações comerciais arranhadas devido a declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro. “Os árabes são essenciais para as exportações de frango da região [principal polo brasileiro de produção da carne] e a China é um mercado em expansão, só vai crescer o consumo lá e precisamos aproveitar isso, além de comprarmos muita coisa deles também. Precisamos vender para quem quer comprar”, reforça Fábio Meneghin.

“Aproximar-se de mercados como os Estados Unidos é benéfico para a economia, afinal, antes da crise que deles de 2008, eram nossos principais parceiros comerciais. Mas não podemos perder mercados como a China [em detrimento do mercado norte-americano que trava uma briga comercial com o país asiático], muito menos virar as costas para o Mercosul. Somos vizinhos, somos a maior economia e um desenvolvimento regional integrado só ocorre se todos contribuírem”, reforçou o economista e especialista em mercado internacional Neoroci Frizzo.

Comportamento das EXPORTAÇÕES na última década, sendo as barras de 2018 a 2008 e os valores em milhões de dólares

Comportamento das IMPORTAÇÕES na última década, sendo as barras de 2018 a 2008 e os valores em milhões de dólares