Economia

Em um ano, preço do diesel subiu 5% no Brasil

Petrobras anunciou duas reduções no preço médio cobrado das distribuidoras só neste mês, mas caminhoneiros estão insatisfeitos

Em um ano, preço do diesel subiu 5% no Brasil

O Índice de Preços Ticket Log (IPTL) publicado neste mês mostra que, levando em consideração o intervalo entre maio deste ano e o mesmo mês do ano passado, o valor do diesel no Brasil subiu 5%: custava R$ 3,65 em 2018 e foi para R$ 3,82 no último período observado.

O preço do diesel também é muito regionalizado, segundo o IPTL, com diferenças que passam dos R$ 0,40 entre o Norte do país, em que o combustível custa R$ 4 e o Sul, onde é vendido por R4 3,58 — uma queda de 11%. No Paraná, onde se pratica o menor preço do diesel, o litro é encontrado nos postos de gasolina a R$ 3,39.

Do final de maio em diante, a Petrobras tomou diversas ações para evitar novas crises entre o governo e os caminhoneiros, que pararam o país no ano passado por conta do aumento dos preços do diesel. No último dia daquele mês, a empresa anunciou que a gasolina teria uma redução de R$ 0,1399 por litro e o diesel, de R$ 0,1383, considerando o valor médio às distribuidoras no país.

No começo deste mês, nova redução: a Petrobras anunciou que venderia o litro da gasolina com uma redução de R$ 0,0778 e o do diesel com R$ 0,0825 a menos. Dez dias depois, um terceiro desconto: queda de R$ 0,0360 no litro da gasolina e de R$ 0,0444 no do diesel. Na ocasião, o presidente Jair Bolsonaro disse que a redução média foi de 2,1% na gasolina e de 2,2% no diesel.

Segundo a petrolífera estatal “os preços para a gasolina e o diesel vendidos às distribuidoras têm como base o preço de paridade de importação, formado pelas cotações internacionais destes produtos mais os custos que importadores teriam, como transporte e taxas portuárias”.

O governo tomou várias medidas desde maio para evitar rusgas com os caminhoneiros: ainda naquele mês, Bolsonaro anunciou a criação do Cartão Caminhoneiro, uma espécie de cartão combustível pré-pago para que os motoristas tenham flexibilidade no pagamento do abastecimento. “Possibilitará mais segurança, facilidade e flexibilidade e garantir o preço do combustível, na forma de um cartão pré-pago, por até 30 dias. Se o preço subir, o caminhoneiro vai ter a garantia do preço do diesel e, se o preço cair, ele pode pegar o dinheiro do cartão pré-pago e comprar mais combustível e assim utilizá-lo”, explicou o ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque.

Há duas semanas, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou novas regras para o cálculo do frete mínimo de transporte de cargas, passando a considerar 11 categorias para mensusar os pisos mínimos de pagamentos e ampliando os itens levados em consideração para o cálculo. A partir de então, o cálculo do piso mínimo de frete leva em consideração o tipo de carga transportada por meio de dois coeficientes de custo: um envolvendo o custo de deslocamento (CCD) e, outro, de carga e descarga (CC), cuja definição varia no número de eixos carregados.

Quatro dias depois do anúncio, a ANTT atendeu a um pedido do Ministério da Infraestrutura e suspendeu a nova tabela. O argumento foi que o cálculo insatisfez grande parte dos caminhoneiros por causa das “diferenças conceituais entre o valor do frete e o piso mínimo”. Os motoristas ameaçaram parar novamente, e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, teve que intervir. As negociações continuam.