Efeito pandemia: América Latina terá a maior recessão da história, diz FMI

Diretor do fundo defende que prioridade da política fiscal dos países agora deve ser “proteger vidas”

São Paulo – Diretor do departamento do hemisfério ocidental do FMI (Fundo Monetário Internacional), Alejandro Werner disse nessa sexta-feira (26) que a América Latina se transformou no novo epicentro mundial da pandemia do coronavírus, o que vai contribuir para a região ter sua pior recessão da história, com contração do PIT (Produto Interno Bruto – soma de todas as riquezas produzidas) estimada de 9,4% este ano. “Os riscos permanecem elevados”, disse ele, em texto divulgado no blog da instituição.

Na última quarta (24), o Fundo divulgou novas projeções para a atividade econômica. Diante da evolução da pandemia, a estimativa é de que o PIB do Brasil tenha recuo de 9,1% em 2020, em um quadro de “alta incerteza”, com crescimento de 3,6% em 2021. Para a economia global, a projeção é de queda de 4,9%, maior que a retração prevista anteriormente, de 3%.

Werner destacou que a pandemia pode piorar e durar mais tempo, contribuindo para deteriorar a economia, prejudicando os balanços das empresas e aumentando a desigualdade na América Latina, o que pode elevar a tensão social.

Sobre a reabertura dos negócios, ele ressaltou que o processo precisa ser feito levando em conta a ciência e com base em dados estatísticos.

A aceleração da pandemia na América Latina indica que medidas de distanciamento social terão de ser mantidas por mais tempo, ajudando a deteriorar a atividade econômica, ressalta o diretor do FMI. Por isso, a expectativa é de um segundo semestre também com economia enfraquecida. Segundo Werner, o PIB da América Latina pode ter recuperação mais lenta que outras regiões do planeta.

Em 2021, a recuperação será “suave”, destacou Werner, com avanço previsto de 3,7% no PIB da região.

 

“Proteger vidas”

Apesar da “perspectiva difícil”, Werner diz que as condições financeiras externas relaxaram um pouco nas últimas semanas, graças em grande medida a “ações fortes” de bancos centrais de nações desenvolvidas. Porém, as condições financeiras seguem mais restritas do que antes da pandemia e devem permanecer voláteis adiante.

Ele afirma em seu texto que a prioridade da política fiscal agora deve ser “proteger vidas”. Com o espaço fiscal limitado da região, isso significa rever a prioridade dos gastos e aumentar sua eficiência. De qualquer modo, Werner aponta que o cenário aumentará preocupações sobre a sustentabilidade da dívida no médio prazo em vários países. “Compromisso com um plano de médio prazo de consolidação fiscal e reformas estruturais para permitir o crescimento serão cruciais para mitigar essas preocupações”, acredita.

A política monetária, por sua vez, “deve seguir acomodatícia”, diante do quadro de inflação contida e elevado desemprego. Ele argumenta ainda por “medidas para manter as relações empregatícias”, como apoio ao pagamento de salários, a fim de evitar o fechamento de negócios viáveis, reduzir o desemprego de longo prazo, apoiar a recuperação e “reduzir as cicatrizes e aumentar o crescimento potencial”.

Otica Central

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