BRASÍLIA – O governo interino de Michel Temer não cogita ser derrotado na votação dos destaques do projeto da dívida dos estados. Foi o que disseram ministros do governo na noite desta segunda-feira, após jantar com Temer e deputados da base aliada. O projeto que renegocia as dívidas dos estados com a União foi aprovado por maioria pequena, com alto índice de traição de legendas que sustentam o governo. Ainda assim, tanto Henrique Meirelles (Fazenda), Eliseu Padilha (Casa Civil) e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) garantiram que os destaques, que podem ser votados na próxima semana, serão rejeitados por seus aliados na Câmara.

– Não vai haver aprovação de nenhum destaque, essa especulação não prospera, vamos manter o projeto. A discussão já foi feita, agora é votar. Não há mais o que debater nesta matéria – garantiu Geddel.

Em tom otimista, o ministro da Fazenda disse estar confiante de que o Congresso vai manter a integralidade do texto, que, segundo ele, já teve suas partes mais importantes aprovadas. Segundo ele, o ajuste fiscal “está indo muito bem”.

– Está indo tudo muito bem, foi aprovada a contrapartida relevante, que é a criação do teto dos gastos, que é o que vai garantir o ajuste fiscal dos estados. Temos alguns destaques a serem votados, mas estamos confiantes que vai ser mantida a integralidade do acordo, portanto, podemos dizer que o ajuste fiscal vai muito bem.

BASE ‘DE CONFIANÇA ABSOLUTA’

Apesar do alto índice de infidelidade da base de Temer na Câmara, que aprovou o projeto da dívida por 282 votos, apenas 25 a mais que os 257 necessários, o ministro Eliseu Padilha fez coro aos demais e afirmou ter “confiança absoluta” na base do presidente interino.

– Nós temos uma base que nos dá confiança absoluta de que teremos as posições do governo e da nossa equipe econômica sendo homologadas pelo congresso nacional. A democracia pressupõe que tenhamos esse confronto, é importante que haja sempre a possibilidade de reavaliar as nossas posições, mas chegamos à conclusão de que as posições do governo são as corretas. Temos certeza que a nossa base vai rejeitar qualquer tipo de destaque que possa comprometer o nosso ajuste – afirmou Padilha.

Perguntado sobre o placar apertado, o ministro disse que “gol de mão” também vale, mas que não foi isso que ocorreu na votação da semana passada:

– Em jogo apertado, gol aos 49 minutos e gol de mão também valem. No foi o caso, ganhamos folgado, e vamos ganhar folgado, com mais de dois terços dos votos.