Genebra – O governo da China anunciou que vai aplicar retaliações contra produtos americanos no valor de US$ 60 bilhões, depois que a Casa Branca divulgou uma elevação de tarifas no comércio com Pequim, e o presidente Donald Trump ameaçar ampliar as sanções como uma espécie de "fase três", caso o país asiático endureça o tom.

Entre as delegações de países em Genebra, na sede da OMC (Organização Mundial do Comércio), o temor é de que as retaliações mútuas e o avanço protecionista americano saiam do controle, afetando a economia mundial.

Na lista de produtos que os chineses vão sobretaxar estão alguns dos principais concorrentes das exportações brasileiras. Cerca de 1,6 mil produtos serão atingidos por uma alta de 5% nas tarifas, incluindo aeronaves, produtos têxteis e computadores; 10% da tarifa será imposta sobre 3,5 mil produtos, incluindo carnes, trigo e vinho, além de produtos químicos. A lista tem como objetivo afetar a base eleitoral de Trump e do Partido Republicado.

Numa mensagem nas redes sociais, Trump voltou a alertar que não aceitaria que os chineses colocassem o setor agrícola americano como alvo de retaliação. “A China declara que está ativamente tentando impactar e mudar nossa eleição ao atacar nossos fazendeiros e trabalhadores da indústria que são leais a mim”, disse. “O que a China não entende é que essas pessoas são grandes patriotas”, completou.

Supremacia mundial

A guerra ainda levou o bilionário Jack Ma a mandar um alerta sobre a guerra comercial: ela vai durar mais do que se espera e terá um enorme impacto. Segundo o homem mais rico da China, a disputa pode durar 20 anos e ir muito além da presidência de Trump. No fundo, segundo ele, o que está em jogo é a supremacia no cenário global.

Num discurso em Hangzhou, ele alertou que, “no curto prazo, a comunidade empresarial na China, nos EUA e na Europa estão em apuros”. “Isso vai durar muito tempo. Não há uma solução no curto prazo”, declarou.

Tarifas sobre US$ 200 bilhões

Na segunda-feira (17), Donald Trump indicou que vai impor tarifas de 10% sobre US$ 200 bilhões em importações chinesas a partir do dia 24. Essas tarifas aumentarão para 25% no início de 2019. Essa nova rodada se soma aos US$ 50 bilhões que já haviam sido taxados no início do ano, o que significa que os EUA vão cobrar tarifas de quase metade de tudo o que compram da China.

O comunicado do presidente americano afirma que, “se a China tomar medidas de retaliação contra nossos agricultores ou outras indústrias, imediatamente buscaremos a fase três, que são tarifas adicionais sobre aproximadamente US$ 267 bilhões de importações”.

Se isso ocorrer, Washington terá elevado tarifas para mais de US$ 500 bilhões desde o começo da administração Trump. Na prática, isso significará que mais de 50% do comércio bilateral terá sido afetado por medidas protecionistas.