São Paulo – Apesar do clima de cautela aqui e no exterior, que predominou durante boa parte da sessão, a Bolsa brasileira (B3) conseguiu virar já na reta final do pregão e fechou com leve ganho de 0,14%, aos 127.429,17 pontos nessa segunda-feira (28). No câmbio, o dólar também ignorou a aversão aos riscos e cedeu 0,19%, cotado a R$ 4,9283. Investidores ficaram de olho no avanço da covid-19 no mundo e também na CPI da Covid e na reforma tributária. No mês, o Ibovespa sobe 0,96% e, no ano, 7,07%. Com as perdas de ontem, a moeda americana acumula uma desvalorização de 5,68% no mês.

Neste começo de semana, fatores internos – a má recepção à proposta de tributação apresentada pelo governo na última sexta, mesmo dia em que houve desdobramentos negativos na CPI da Covid, com potencial para dificultar a governabilidade de Jair Bolsonaro -, preocuparam o mercado. Teme-se que o desgaste do presidente e novas fissuras em sua base de apoio no Congresso atrapalhem a votação de reformas. O vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), protocolou notícia-crime contra Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal sobre suposto caso de prevaricação relacionadas à aquisição da Covaxin.

Sobre a reforma, “houve uma reação diferente na sexta-feira ao pacote tributário, na medida em que se coloca na conta que o governo não costuma obter aprovação para suas iniciativas exatamente da forma como são encaminhadas. Desta vez foi diferente, e há muita atenção agora para a tramitação, em busca de mais clareza sobre essas medidas”, diz Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.

Sobre o cenário externo, Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch, observa que, se por um lado o pacote de infraestrutura nos Estados Unidos, embora em dimensão abaixo da esperada inicialmente, sinaliza mais liquidez para a economia americana, por outro a variante Delta do coronavírus parece ganhar força global no momento em que a melhora da situação sanitária tem resultado em normalização da vida social e econômica.